A conta da propina: U$ 3,4 bi

O departamento de propinas da Odebrecht pagou 3,39 bilhões de dólares entre 2006 e 2014 em vantagens indevidas para os mais variados propósitos. A soma foi revelada pelo antigo funcionário do setor de operações estruturadas Hilberto Mascarenhas em depoimento para a ação contra a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cujos detalhes começaram a vir a público nesta terça-feira.

De acordo com o executivo, cerca de 80% do valor destinou-se a propinas e obras no exterior, conforme publicado no jornal Folha de S. Paulo. Outros 20% do montante foram destinados a pagamentos de contas de partidos políticos brasileiros nas campanhas eleitorais via caixa dois. Pelo relato, os valores cresceram ano a ano até a deflagração da Operação Lava-Jato. Foram 60 milhões de dólares em 2006, chegando ao pico de 750 milhões em 2013. Em 2014, mesmo com a Lava-Jato já nas ruas, foram repassados 450 milhões de dólares. Com o avanço das investigações, o departamento de propina chegou a ser transferido para a República Dominicana, um dos países onde a empresa atuava.

Além do Brasil, receberam recursos campanhas de países da América Latina, como El Salvador, Panamá e Venezuela, e da África, como Angola. Algumas das campanhas foram realizadas pelo ex-marqueteiro do PT João Santana. Ele e sua mulher, Mônica Moura, receberam 16 milhões de dólares de caixa dois apenas na campanha de 2014, quando trabalharam para a chapa Dilma-Temer. Mascarenhas confirmou que executivos da Odebrecht tinham ciência de que os pagamentos eram feitos para quitar dívidas da dupla na corrida eleitoral.

O ministro Herman Benjamin, relator da ação no TSE, ainda não deu data para seu parecer sobre os depoimentos. Antes, ele realizará uma acareação entre Mascarenhas, Marcelo Odebrecht e Cláudio Melo Filho para refinar as contradições entre as versões de cada um. A audiência foi marcada para a próxima sexta-feira 10, às 16 horas. Será a hora de passar a limpo a delação do fim do mundo, que já implicou os três principais partidos do país: PT, PMDB e PSDB.

Comentários
Deixe um comentário

Olá,

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s