A crise do Rio sempre pode piorar

A crise do Rio de Janeiro acabou de ficar pior. Agentes da Polícia Federal (PF) deflagraram nesta quarta-feira a operação Quinta do Ouro, que tem como alvos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e o presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani (PMDB), pai do ministro dos Esportes Leonardo Picciani (PMDB). Foram presos cinco dos sete membros do tribunal, incluindo o presidente, Aloysio Neves. Picciani foi alvo de mandado de condução coercitiva, e falou com os investigadores por cerca de três horas. Seu gabinete também foi alvo de busca e apreensão.

As ações foram determinadas pelo ministro Félix Fisher, do Superior Tribunal de Justiça. A investigação tem por base a delação de Jonas Lopes, ex-presidente do TCE, que fechou acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), e de seu filho, o advogado Jonas Lopes de Carvalho Neto, alvos da Operação Descontrole, um braço da Lava-Jato no Rio, deflagrada em dezembro do ano passado. Os dois saíram do país, com autorização do Ministério Público, na segunda-feira, depois de sofrerem ameaças.

De acordo com a PF, os alvos da operação são investigados por fazerem parte de um esquema de pagamentos de vantagens indevidas que pode ter desviado valores de contratos para agentes do Estado, em especial membros do TCE e da Assembleia Legislativa. Em tese, a corte tem por dever fiscalizar os contratos públicos do estado.

A PF também sugeriu que fosse feita busca e apreensão contra o governador do estado, Luiz Fernando Pezão (PMDB). A PGR, por sua vez, considerou a busca desnecessária. O governador foi citado na delação de Jonas Lopes e de seu filho, Jonas Lopes Neto.

Em fevereiro, relatório apresentado pelo TCE considerou “insustentáveis” as dívidas de 106 bilhões de reais do estado do Rio. Aparentemente, o próprio TCE teve uma participação importante para levar o Rio à penúria.

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