A posse de Cármen; “Não desisto”…

257 já na Câmara

Às 19 horas desta segunda-feira, terá início a votação que sela o destino de Eduardo Cunha como deputado federal. O ex-presidente da Câmara dos Deputados será julgado pelo plenário por quebra de decoro parlamentar e por ter mentido sobre a posse de contas no exterior em depoimento na CPI da Petrobras. São necessários pelo menos 257 votos para que Cunha perca o mandato — exatamente o número de deputados que estavam na Câmara às 17 horas, 2 horas antes o início da sessão. O jornal O Globo, em apuração com os parlamentares, já contabiliza 306 votos declarados contra o peemedebista.

Desistir, jamais!

Ainda que o cenário seja de improvável salvação, Cunha reiterou que não pretende renunciar. “Sem a menor chance”, disse a jornalistas. A questão surgiu nos bastidores, em que se especula que o ex-presidente da Câmara pretendia deixar o cargo durante sua fala na sessão de hoje. Cunha seguiria com o foro por prerrogativa de função até que a votação fosse realizada. Não há nada que assegure que o pleito seja adiado nesse caso. A decisão cabe a Rodrigo Maia, atual presidente da Casa, que afirmou nesta segunda-feira que não há “clima político” para suspender a sessão.

Preso, eu?

Possivelmente em sua última entrevista como parlamentar, dada ao SBT, Cunha disse não ter medo de ser preso na investigação da Operação Lava-Jato. Ao lado de sua mulher, Cláudia Cruz, ele voltou a negar qualquer ilícito e que pretende fechar acordo de delação premiada. Cláudia, por sua vez, reclamou ter sua privacidade invadida pelos investigadores e que se tornou bode expiatório por seus hábitos de compra. “Todas as mulheres da minha condição financeira fazem [compras em lojas de luxo].”

A nova presidente

Com status de estrela e presença de ilustres, a ministra do Supremo Tribunal Cármen Lúcia foi empossada nesta segunda-feira como presidente da Casa em mandato de dois anos — Dias Toffoli será o vice. Estiveram presentes o presidente Michel Temer, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o do Senado, Renan Calheiros, além de deputados e senadores. Muitos dos políticos presentes têm inquéritos abertos pelo tribunal. O Hino Nacional foi cantado por Caetano Veloso. “Nosso tempo exige maior cuidado, prudência para saber ouvir e entender, e coragem para enfrentar o que precisa ser mudado, a despeito de interesses”, disse a ministra em seu primeiro discurso como presidente.

E o reajuste?

O ministro Celso de Mello, decano da Corte, que abriu a sessão, bateu duro na corrupção. O ministro Luiz Fux afirmou que a nova presidente do Supremo deve desistir do reajuste aos ministros, ao contrário do antecessor, Ricardo Lewandowski. Justo agora que PMDB e PSDB, partidos da base de Temer que vinham se desentendendo sobre o assunto, parecem ter chegado a um senso comum. Os partidos haviam concordado em segurar o projeto para antes resolver uma desvinculação do subsídio do restante da administração pública em relação ao Supremo, o que impediria o “efeito cascata” nas contas do governo.

Caso Celso Daniel

Segundo a revista VEJA, o empresário Marcos Valério revelou ao juiz federal Sergio Moro o que sabe sobre a operação para comprar o silêncio de Ronan Maria Pinto, para não envolver o ex-presidente Lula no assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel. Valério afirmou que houve suborno, mas não deu detalhes, dizendo temer por sua vida. Em depoimento de 2012, Valério apontou o empréstimo concedido pelo Banco Schahin ao empresário José Carlos Bumlai em 2004 como forma de pagar uma extorsão a que eram submetidos Lula e o ex-ministro Gilberto Carvalho para que não fossem implicados no caso. Na época, citou a quantia de 6 milhões de reais, que seriam dados a Maria Pinto para não envolver a ambos e José Dirceu no caso.

Aquarius de fora

O indicado para ser o representante brasileiro na disputa pelo Oscar 2017 é Pequeno Segredo, de David Schurmann. O longa Aquarius era o favorito para a indicação, já que integrou a seleção do Festival de Cannes neste ano. A passagem no festival ficou marcada por protesto contra o impeachment da então presidente Dilma Rousseff no tapete vermelho, o que, segundo cineastas, gerou represália na hora da escolha para o Oscar nesta segunda-feira. O diretor Kleber Mendonça Filho disse que a decisão da comissão do Ministério da Cultura, que escolhe o representante, era “esperada”. A cerimônia do Oscar será no dia 26 de fevereiro de 2017.

 

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