A semana de Moraes

Chegou a hora de Alexandre de Moraes. O postulante a ministro do Supremo Tribunal Federal será sabatinado na terça-feira pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O otimismo do Planalto por sua aprovação é tanto que parlamentares acreditam que a votação de seu nome em Plenário, o passo seguinte e definitivo para sua aprovação, possa acontecer até quarta-feira. Desde o início da República no Brasil, em 1889, apenas cinco indicados foram rejeitados pelo Senado, todos eles durante o governo de Floriano Peixoto (1891 a 1894).

A Comissão de Constituição e Justiça, órgão responsável pela sabatina, tem nada menos que 10 dos 13 senadores investigados pela operação Lava-Jato, da qual Moraes será o revisor. A lista começa pelo presidente da comissão, Edison Lobão (PMDB-MA), e tem ainda Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR). A situação é tão esquisita que Lobão pode nem comandar a sabatina – na semana passada, o relatório favorável à indicação de Moraes foi lido em sessão presidida pelo vice Antonio Anastasia (PSDB-MG). Renan, recordista de inquéritos no Supremo, posou em foto ao lado de Moraes durante o tour do pré-ministro pelo Salão Azul do Senado, que durou toda a última semana.

A relação fraternal entre o indicado e os senadores responsáveis por aprová-lo, e a polêmica em torno de sua indicação, têm sido alvo de críticas. Até a noite de domingo, 760 internautas haviam deixado perguntas para Moraes em um sistema de interatividade do Senado. A maioria acompanhada de comentários negativos. “Como o senhor vê a contradição entre sua tese defendida na USP [que indica conflito de interesse quando um subordinado é indicado pelo presidente ao Supremo] e aceitar o convite para ser ministro do STF? Não há, claramente, uma arranjo político?”, pergunta um internauta.

No último relatório Índice de Confiança na Justiça da Fundação Getúlio Vargas, a confiança popular no judiciário é de 29%. São 5 pontos percentuais perdidos desde 2013. A presença de Moraes no Supremo, certamente, não ajudará o índice. Caberá a ele mostrar, no dia a dia, que a desconfiança é indevida.

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