Apesar da crise, governo atual é melhor opção, diz Ipea

A continuação do governo atual é melhor do que as alternativas disponíveis para que o país não perca as conquistas sociais dos governos petistas, diz sociólogo.

São Paulo – Apesar de o Brasil estar passando por um momento de recessão da economia, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o sociólogo Jessé Souza, afirmou que “a continuação do governo atual é melhor do que as alternativas disponíveis”, para que o país não perca “as conquistas sociais dos governos petistas”.

As declarações foram dadas em entrevista a jornalistas antes de palestra para estudantes da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP). Souza, que focou a sua carreira acadêmica no estudo da classe média brasileira, disse que a sociedade vive hoje uma “encruzilhada”, na qual terá de escolher entre continuar com os avanços sociais ou perder as “conquistas” alcançadas até o momento.

O presidente do Ipea criticou o debate sobre a corrupção no Brasil e afirmou que a prática é discutida com o objetivo de “manipulação política”, sustentando que há hoje uma “demonização do Estado” e uma “divinização do mercado”. “Há um alto grau de seletividade de temas como a corrupção”.

Questionado sobre a possibilidade de a discussão do ajuste fiscal também ser alvo dessa disputa entre o Estado e o mercado para manipular a opinião pública, Souza preferiu não comentar. “Eu não sou economista, então prefiro não entrar nesse tema”.

Sobre uma possível perda do apoio da classe média por parte do governo atual, motivada pela crise econômica, Souza se limitou a afirmar que o Brasil passa por um “apartamento da política como um todo” e ressaltou que há uma “demonização seletiva da política”.

Classe média

Ao ser questionado sobre a recessão da economia e as possíveis perdas de conquistas sociais, que do ponto de vista da renda “tudo leva a crer” que a ascensão da classe média observada no Brasil nos últimos anos está sendo perdida.

No entanto, o sociólogo sustenta que o avanço dos últimos anos “abriu os horizontes da classe média” e, para ele, “isso não se perde”. “E nenhum partido político no Brasil consegue perceber isso”, disse. “Apesar disso, as pessoas, quando conquistam algo, querem mais, instaurando um quadro de expectativa. Com isso, o jogo político está aberto”, afirmou.

Souza declarou ainda que o uso do termo “nova classe média” é uma “piada”. “A nova classe média não é real porque é uma classe que não tem nenhum privilégio, é uma classe na qual os adolescentes têm de estudar e trabalhar ao mesmo tempo e, com muito esforço, conseguem se qualificar e, mesmo assim, não ocupa os altos cargos, que são um privilégio da elite”, disse.

Para ele, dizer que o País tem uma nova classe média é “enfeitar o Brasil”. “As pessoas falam isso como se o Brasil estivesse se tornando uma França ou uma Alemanha, que são sociedades que realmente são de classe média. Isso é um engodo, e com engodo a gente não avança”, disse. Na avaliação do presidente do Ipea, o que o Brasil tem é uma classe batalhadora que ascendeu economicamente, mas sem privilégios.

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