Após reintegração, estudantes seguem para outras ocupações

Os policiais isolaram o prédio do CPS, que fica na Luz, região central da capital, e retiraram os estudantes à força

Após a reintegração de posse da sede do Centro Paula Souza (CPS), na manhã de hoje (6), os estudantes que acampavam no local seguiram para outras ocupações.

Um dos alvos é a Diretoria de Ensino da Região Centro-Oeste, em Perdizes, zona oeste paulistana. O local foi tomado pelos jovens ontem (5).

Além dele, estão sob controle dos alunos da rede pública de ensino pelo menos 11 escolas técnicas, duas escolas estaduais e outra diretoria na região sul da cidade.

A mobilização é contra a falta de merenda e pela apuração de denúncias de corrupção envolvendo contratos da alimentação escolar.

A Polícia Militar cumpriu, às 6h40 de hoje, a ordem de despejo concedida pela Justiça de São Paulo no domingo (1º). Na noite de ontem (5), o juiz desembargador Rubens Rihil derrubou a série de condicionantes para a reintegração que havia sido estabelecida durante audiência de conciliação.

O juiz Luis Manuel Fonseca Pires, da Central de Mandados havia proibido o uso armas, letais ou não, inclusive cassetetes e balas de borracha ou gás de pimenta; e exigiu que o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, estivesse presente na ação.

Com isso, os policiais isolaram o prédio do CPS, que fica na Luz, região central da capital, e retiraram os estudantes à força.

“Eles fizeram dois cordões e foram afastando os apoiadores [pessoas que estavam em volta do edifício]. Enquanto eles afastavam os apoiadores, a Tropa de Choque entrou no prédio, com quatro policiais para cada ocupante, arrastando para a rua”, conta Otávio, de 16 anos, um dos estudantes do ensino técnico que participou da ocupação.

Os alunos seguiram, então, em passeata pela Avenida Tiradentes com a intenção de fortalecer a ocupação da Escola Técnica Estadual de São Paulo (Etesp).

A manobra foi impedida pela polícia, que cercou o complexo que abrange também a Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec).

“Quando a gente chegou aqui já tinha a polícia de frente tentando empurrar os que estavam chegando”, conta Otávio. Segundo ele, alguns dos participantes do protesto ficaram levemente feridos. “Alguns levaram cassetadas nos braços e na cabeça e escudadas na cara”.

Uma parte dos jovens ficou do lado de fora da Etesp, mas alguns afirmavam que iam ajudar na mobilização de outros locais sob ocupação.

Histórico

O CPS, autarquia que administra a rede de ensino técnico, foi ocupado no último dia 28, após uma passeata contra a falta de merenda nas escolas técnicas estaduais.

Apesar de muitos terem aulas durante todo o dia, recebem apenas lanches e reivindicam que seja fornecido almoço.

O movimento também quer chamar atenção para as denúncias de corrupção nos contratos da alimentação escolar destinada principalmente aos alunos do ensino básico regular.

Uma força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público investiga, na Operação Alba Branca, deflagrada no dia 19 de janeiro, um esquema de fraudes na compra de merenda escolar de prefeituras e do governo paulista.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), de Ribeirão Preto, as fraudes na contratação da merenda, entre 2013 e 2015, envolvem 20 municípios.

Os contratos sob suspeita chegam a R$ 7 milhões, dos quais R$ 700 mil foram, segundo os promotores, destinados ao pagamento de propina e comissões ilícitas.

A mesma situação levou um outro grupo de estudantes a ocupar o plenário da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

O presidente da Casa, Fernando Capez (PSDB) teve o nome citado nas investigações da PF, mas nega qualquer envolvimento. Os estudantes estão no plenário da Alesp desde terça-feira e ontem (5) foram notificados para deixar o local em 24 horas.

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