O governo emparedado

O governo começa a semana emparedado. A delação premiada de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, divulgada pela revista VEJA, traz 43 vezes o nome do presidente Michel Temer, além de citações a toda a cúpula do governo. Os próximos dias vão mostrar o impacto concreto das denúncias no Planalto, mas a estratégia de Temer e sua equipe está clara.

Primeiro, tirar o peso das denúncias tratando-as como o que de fato elas são: vazamentos não homologados. Nesta segunda-feira, o presidente se reúne com o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, para tratar da nomeação de Antonio Imbassahy (PSDB-BA) para a Secretaria de Governo. Parece que agora vai.  O presidente também deve se empenhar pessoalmente para que o Congresso aprove a PEC do Teto ainda este ano e que a equipe econômica anuncie medidas de impulso para o crédito e os investimentos. O ministro Henrique Meirelles se reuniu com banqueiros e empresários no fim de semana. Vai ser suficiente para segurar a crise?

Na prática, as denúncias trazem problemas de duas naturezas para o governo. No campo jurídico, as consequências tendem a demorar. A Procuradoria Geral da República vai investigar o vazamento da delação e pode inclusive anular o depoimento. É preciso saber também se as denúncias serão caracterizadas como corrupção ou caixa 2. No caso de caixa 2, o caso pode entrar no processo que corre contra a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral. As investigações de corrupção vão depender de um empenho do Supremo Tribunal Federal, que não tem se caracterizado pela agilidade. Em nenhuma hipótese a bomba estoura no começo de 2017.

Mas há outro impacto, de curtíssimo prazo, no mercado e nas ruas. Com o governo mais fraco, os investimentos tendem a ser adiados, e a economia deve demorar ainda mais para sair do atoleiro. Manifestações tendem a ganhar força – uma delas, de grupos de esquerda, está prevista para terça-feira. O governo termina o ano, portanto, com a economia fraca, a população insatisfeita, e a ameaça da Odebrecht mais forte do que nunca. Temer se esforça para mostrar que está tudo normal, mas não está.

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