Nas Olimpíada, roupas repelentes são nova arma contra zika

Duas empresas brasileiras utilizam há alguns meses a citronela e a substância industrial permetrina para revestir alguns tecidos e evitar o inseto

São Paulo – A pouco menos de um mês para o início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o combate ao vírus da zika continua sendo uma preocupação, ao ponto de empresários criarem uma roupa especial para gestantes e outros tecidos capazes de repelir o mosquito Aedes Aegypti.

Em uma iniciativa precursora na América Latina, duas empresas brasileiras utilizam há alguns meses a planta citronela e a substância industrial permetrina para revestir alguns tecidos e, assim, evitar a aproximação do inseto, que também transmite a dengue e o chicungunha.

“A ideia foi usar a citronela, planta repelente, com uma nanotecnologia capaz de ser incorporada em alguns tecidos que puderam auxiliar gestantes amedrontadas com os riscos causados pelo mosquito e a possibilidade de a microcefalia estar relacionada com o zika vírus”, disse João Ricardo Esteves, diretor da Megadose, fabricante de roupas para gestantes de Cianorte, no Paraná.

A malha que compõe a fabricação das peças toma um “banho” de citronela através da nanotecnologia, o equivalente a uma aplicação do composto nas fibras do tecido, o que garante uma proteção para além das primeiras lavagens da roupa.

“O tecido da roupa repelente é mais macio porque é formado de óleos essenciais de citronela, e a produção das peças é feita através de nanopartículas da planta inseridas na fibra do produto”, afirmou à Agência Efe Rafaela Carvalho, gerente da loja Megadose em São Paulo.

Esteves contou à Efe que o lançamento da linha de roupas com fibras banhadas em citronela foi pensado após o surto de casos de zika no final de 2015. Em três meses desde o início da produção, a demanda aumentou em 20% com um lucro ainda não contabilizado.

Quando questionado sobre aumentar a produção para os Jogos Olímpicos, Esteves reiterou que não terá tempo para criar novas linhas esportivas, mas que garantirá que as mães que passem pela cidade olímpica tenham possibilidades de proteção.

O empresário também afirmou que pretende aumentar a produção após os Jogos, assim como a Santista Jeanswear, fábrica de Americana, no interior de São Paulo, que colocou no mercado em abril tecidos especiais com a permetrina, substância indicada por médicos como repelente industrial mais eficiente.

“Nós produzimos o tecido com duas propostas de denim que envolvem camisaria e um tecido do tipo stretch para produção de calças, jaquetas, macacões. Lançamos em abril para que o consumidor final possa encontrá-lo próximo dos Jogos Olímpicos, o que dependerá de nossos clientes que produzem as peças”, explicou à Efe o diretor da Santista, Gilberto Stocche.

De acordo com o empresário, devido ao grande número de casos de zika e microcefalia registrados no último ano no país, ele começou a pensar em tecidos com repelente, “que proporcionaria a proteção sem mudar os aspectos de um jeans comum, sem cheiro, sem ficar ríspido, como um jeans normal”.

“A proteção vem por conta do tipo de acabamento que o tecido recebe, um composto à base de permetrina também utilizado como base em alguns cremes e sprays repelentes, e este acabamento é por imersão do tecido em banho”, contou.

Sobre a durabilidade do repelente na roupa, a permetrina pode permanecer nos jeans em até 50 lavagens caseiras, 40 para camisas, enquanto a citronela pode chegar até 20 para a coleção de peças para gestantes.

Recentemente, as duas empresas lançaram uma parceria para a produção de coleções em jeans para grávidas e pensam em exportar seus produtos.

Até o momento, apenas a Coreia do Sul saiu na dianteira da iniciativa privada para criação de roupas com repelente, que, inclusive, serão usadas pelos atletas sul-coreanos que virão aos Jogos do Rio.

“Com relação à exportação, nossa equipe se apresentou em todos os mercados em que atuamos. Agora em julho estaremos na ColombiaModa e reforçaremos o produto. A Colômbia é um país em que a demanda pode ser interessante, por também apresentar alto índice do vírus da zika”, destacou Stocche.

Já a empresa paranaense pretende expandir os negócios para países como México e Venezuela, onde também houve números significativos de zika vírus e suspeita de microcefalia.

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