Assinatura falsa foi usada para favorecer Cunha em cassação

Deputado Vinícius Gurgel (PR) renunciou a sua posição no Conselho de Ética para evitar que petista contrário ao presidente da Câmara assumisse em dia de votação

São Paulo – A carta de renúncia do deputado federal Vinícius Gurgel (PR) ao cargo de titular no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados foi chancelado com assinatura falsa, segundo laudos técnicos apresentados pelo jornal Folha de S. Paulo.

Duas empresas foram consultadas para dar seu parecer sobre a assinatura do deputado, comparando-a com documentos da Câmara assinados e com firma reconhecida. Os peritos analisaram a falsificação como “grosseira”.

O deputado pertence à chamada “Tropa do Cunha” e pediu afastamento para impedir que seu suplente, um deputado do PT e contrário a Eduardo Cunha (PMDB), ocupasse sua cadeira em dia de votação que decidiu se o Conselho daria seguimento ao processo.

Em caso de renúncia, quem indica o substituto é o partido. Foi escolhido o líder da bancada, Maurício Quintella Lessa (PR).

O pleito começou após as 23h do dia 1º de março porque Eduardo Cunha postergou ao máximo o encerramento das atividades do plenário, esperando que a carta de Gurgel chegasse ao Conselho.

A votação acirrada terminou em 11 a 10, com voto de Quintella Lessa a favor de Cunha e desempate decidido pelo presidente da comissão, José Carlos Araújo (PSD), em voto de minerva.

RESSACA

Sobre a suposta falsificação, o deputado Vinícius Gurgel disse à Folha que, embora não estivesse em Brasília, teria deixado em seu gabinete “diversas” cartas de renúncia já assinadas e que a constatação dos peritos foi “decorrência de tremedeira por tê-las assinado de ressaca”.

“Quando a pessoa está de ressaca, não escreve do mesmo jeito, fica tremendo, acho que tinha bebido um dia antes, assinei com pressa no aeroporto, pode não ter sido igual, rabisquei lá”, diz o deputado ao jornal.

Ele assume, no entanto, a estratégia de deixar cartas já assinadas para evitar que o suplente assumisse e votasse contra o presidente da Câmara.

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