Ataque era meio de chegar ao céu para presos, diz procurador

Brasileiros suspeitos de discutirem a realização de ataque durante a Olimpíada deste ano no Rio de Janeiro "não eram uma brincadeira", disse procurador

Curitiba – Os 12 brasileiros presos suspeitos de discutirem a realização de um ataque terrorista durante a Olimpíada deste ano no Rio de Janeiro “não eram uma brincadeira”, disse o procurador que cuida do caso à Reuters nesta segunda-feira.

Ao rebater as críticas de que as prisões foram um movimento calculado para mostrar que o Brasil leva a ameaça do terrorismo a sério, Rafael Brum Miron disse que os suspeitos, supostamente simpatizantes do Estado Islâmico, discutiram um ataque com pelo menos dois estrangeiros que faziam parte de um grupo num aplicativo de mensagens.

Um suspeito, disse o procurador, escreveu por meio do aplicativo de mensagens Telegram que “a Olimpíada é uma oportunidade de chegar ao paraíso”.

Outro, que foi preso no domingo depois de buscas realizadas após as primeiras prisões na última quinta-feira, discutiu a aquisição de armas pesadas.

Os comentários de Miron acontecem após alguns questionamentos sobre a Operação Hashtag, da Polícia Federal, porque o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ao anunciar as prisões, classificou os suspeitos de “absolutamente amadores” e disse que eles não tinham planos ou capacidades específicas de realizarem ataques durante os Jogos, que começam no dia 5 de agosto.

“Eles eram amadores, mas eles não eram uma brincadeira”, disse Miron em seu escritório em Curitiba.

“Não existe homem-bomba experiente.” O FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, deu ao Brasil a dica que levou às prisões, de acordo com Miron, ao enviar um breve relatório no qual afirmava que “essas pessoas merecem uma investigação”.

Ele disse que o último suspeito preso, detido no domingo no Mato Grosso, é o líder do grupo. Autoridades inicialmente minimizaram a importância deste suspeito para evitar o pânico que seria gerado pelo fato de um suposto militante estar foragido.

Pelo menos dois membros de um grupo maior de cerca de 20 pessoas que os investigadores monitoravam eram estrangeiros, disse Miron, explicando que às vezes algumas mensagens estranhas trocadas entre eles pareciam ter passado pelo tradutor do Google.

Ele disse que acredita-se que esses estrangeiros estavam na África.

A polícia brasileira agora está investigando possíveis ligações do grupo com organizações islâmicas nessa região do mundo.

A polícia ainda está analisando computadores e telefones apreendidos, mas segundo Miron, as evidências iniciais sugerem que o Brasil não era o alvo por si só, mas que os suspeitos viram a Olimpíada como um alvo porque “muitas pessoas viriam de fora”.

Não foi especificado nenhum país que seria alvo de ataque durante o evento, nem nenhuma data para uma ação foi determinada, mas os investigadores disseram que os suspeitos tinham interesse em atacar países que estão atualmente em confronto com o Estado Islâmico.

Miron não detalhou como os investigadores interceptaram as mensagens no Telegram, um serviço que criptografa os dados entre os usuários. Ele disse, no entanto, que não foi necessária ajuda da empresa que criou o aplicativo.

Em uma entrevista televisionada no domingo, o juiz que cuida dos processos relacionados a esse caso, disse que os investigadores obtiveram dados do Facebook e do Twitter, porque os suspeitos também usaram essas plataformas.

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