Brasil e Chile fazem apelo ao diálogo na Venezuela

"Nós também estamos preocupados com a Venezuela porque o país está se desmanchando", disse o ministro das Relações Exteriores do governo interino, José Serra

Os ministros das Relações Exteriores do Brasil e do Chile realizaram nesta quarta-feira, em Paris, um chamado ao diálogo para solucionar a crise política na Venezuela, somada à crescente pressão internacional encabeçada pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

“Nós também estamos preocupados com a Venezuela porque o país está se desmanchando. São feitas várias tentativas, a tentativa da Argentina, a tentativa da Unasul, agora da OEA, de encontrar uma solução pacífica para a Venezuela”, disse à imprensa o ministro das Relações Exteriores do governo interino do Brasil, José Serra.

“Não me parece fácil, mas minha expectativa é que algo possa resultar”, assinalou Serra, durante uma reunião ministerial da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), em Paris.

No mesmo evento, o chanceler do Chile, Heraldo Muñoz, também se expressou neste sentido.

“Reitero que o Chile quer esgotar todos os esforços diplomáticos para um diálogo efetivo. Real, com resultados concretos e isso, certamente, inclui todas as ações pacíficas constitucionais, incluindo o referendo revogatório”, disse o ministro chileno.

Nesta quarta-feira, a oposição venezuelana exigirá às autoridades eleitorais que fixem os prazos e as normas para convocar um referendo revogatório do governo de Nicolás Maduro.

Chile, Argentina, Colômbia e Uruguai manifestaram essa semana, em um comunicado conjunto, seu desejo de que a crise venezuelana se encaminhe dentro das normas constitucionais, incluindo esse referendo revogatório.

Na terça-feira (31), o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, convocou uma “sessão urgente” do Conselho Permanente”, a entidade para discutir a crise “institucional” da Venezuela invocando a Carta Democrática Interamericana.

Almagro pediu que o organismo discuta o tema em uma sessão extraordinária entre os dias 10 e 20 de junho, ao considerar que existe na Venezuela uma “alteração da ordem constitucional” que afeta gravemente “a ordem democrática”.

Maduro respondeu duramente contra Almagro e manteve que a ação da OEA, solicitada pela oposição venezuelana, busca abrir caminho para uma intervenção dos Estados Unidos.

Na terça-feira o chefe da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), o ex-presidente colombiano Ernesto Samper, disse à AFP em Paris que na próxima semana haverá uma “nova reunião” – após uma ocorrida separadamente na República Dominicana na semana passada – e não descartou que essa conversa seja diretamente entre as partes.

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