Golpe financeiro faz Câmara rever VR de servidores

Queixas sobre sumiço do dinheiro depositado como vale-refeição dos servidores da Câmara Municipal de São Paulo causa mudança de regras

São Paulo – Reclamações sobre sumiço do dinheiro depositado como vale-refeição dos servidores da Câmara Municipal de São Paulo fizeram o Legislativo determinar mudança de regras nesse tipo de benefício, que passará por nova licitação. Segundo o departamento de Recursos Humanos da Casa, 500 dos 2,3 mil servidores já tiveram os cartões clonados nos últimos dois anos.

O suposto golpe nos cartões vinha acontecendo com mais intensidade desde o começo do ano. Logo após o depósito dos créditos do mês, o dinheiro desaparecia dos cartões, deixando os servidores na mão – até a empresa responsável ressarcir os valores sacados.

Segundo o RH da Câmara, neste mês, até quinta-feira, haviam sido registrados três casos. Em setembro, foram 11. Mas houve meses com registro de ao menos 35 casos.

“Um dia depois da recarga, fomos almoçar e o cartão não passou. Então, descobri que o saldo estava zerado. Procurei a polícia, fiz boletim de ocorrência, tudo certo. A informação é que todo o valor do vale tinha sido gasto, em uma única vez, em uma padaria da zona leste”, disse um servidor que pediu para não ser identificado.

Servidores contaram ainda que procuraram o 1º Distrito Policial (Sé) para fazer o registro dos casos. A informação na delegacia, no entanto, é de que nem todos os casos registrados ali eram investigados pela delegacia – saques ocorridos em outros bairros eram enviados para outro distritos. Além disso, como esses casos podem ser registrados tanto como estelionato quanto como furto, a depender das informações passadas pela vítima, nada havia motivado uma investigação específica. Ambos os crimes, aliás, lideram o ranking dos problemas relatados na delegacia.

Reação

O presidente da Câmara, Antônio Donato (PT), informou que a Mesa Diretora da Casa já determinou mudanças nas regras da contratação de empresas que fornecem o benefício. “Vamos pedir mais segurança”, disse o parlamentar. Segundo Donato, os cartões atuais têm apenas tarjas magnéticas, sem dispositivos extras, como chips.

O contrato atual vence em dezembro. Foi assinado em junho de 2013 com a empresa Planinvest Participações e Serviços, com sede em Barueri, na Grande São Paulo. Ele tem um custo mensal de R$ 2,1 milhões. O cartão dos funcionários se chama Planvale.

Procurada pela reportagem, a Planinvest destacou um representante que rebateu os números passados pelo departamento de Recursos Humanos da Câmara de Vereadores, afirmando que estavam errados.

A empresa, no entanto, não informou quantos casos de clonagem de cartão foram contabilizados até agora. Procurado novamente, o funcionário não quis falar sobre o problema com o Estado.

Funcionários do RH da Câmara, por sua vez, afirmam que a Planinvest teria descredenciado locais suspeitos de ajudar golpistas no saque do benefício dos servidores, o que teria reduzido o problema nos últimos meses. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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