Índios deixam prédio da Funai depois de ocupação por 12h

Segundo o coordenador regional da superintendência, o grupo de manifestantes vive na Terra Indígena Taunay Ipeg e viajou cerca de 140 km até a capital

Após mais de 12 horas ocupando o prédio da Superintendência da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Campo Grande (MS), um grupo de cerca de 60 índios terenas deixou o local na noite desta terça-feira (7).

Segundo o coordenador regional da superintendência, Evair Borges, o grupo de manifestantes vive na Terra Indígena Taunay Ipeg, localizada em Aquidauana (MS), e viajou cerca de 140 quilômetros até a capital do estado para protestar contra eventuais mudanças no comando da Funai.

Eles temem que as mudanças possam ameaçar os direitos e interesses dos indígenas. Declarada recentemente como área de usufruto dos terenas, mas ainda não homologada, a terra indígena tem cerca de 34 mil hectares (um hectare corresponde às medidas aproximadas de um campo de futebol oficial) e abriga oito aldeias.

De acordo com o coordenador, o ato de ocupação foi pacífico e os índios permitiram que os servidores continuassem trabalhando ao longo de todo o dia.

“Fiquei surpreso com a chegada deles à superintendência, por volta das 9 horas de ontem. Eles avisaram que ocupariam o gabinete, onde se concentrariam, e não impediriam ninguém de ingressar no prédio ou de trabalhar. Só pedi a eles que não depredassem ou danificassem nada, pois, caso contrário, seria obrigado a tomar as medidas necessárias, mas isso não foi preciso”, disse Borges à Agência Brasil nestas quarta-feira (8).

Por telefone, o cacique da Aldeia Bananal, uma das oito existentes em Taunay Ipeg, Célio Fialho, explicou que a ocupação faz parte de um movimento mais amplo, por meio do qual os povos indígenas de todo o país pretendem reivindicar o respeito aos seus direitos.

Lideranças de diferentes etnias de várias regiões do país estão organizando uma manifestação em Brasília para breve. A intenção é se reunir com o atual ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

“Estamos lutando pela demarcação de terras tradicionais, pela educação e pela saúde indígena. Queremos ser ouvidos antes da tomada de qualquer decisão que nos afete, conforme estabelece a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho [que trata dos direitos dos povos indígenas e tribais no mundo]”, afirmou Fialho.

Ele se refere particularmente à recente exoneração do ex-presidente da Funai, João Pedro Gonçalves da Costa.

A exoneração foi publicada na edição do Diário Oficial da União do último dia 3 e, em seu lugar, assumiu, ao menos temporariamente, o diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável, Artur Nobre Mendes.

“Substituíram o presidente, e não sabemos quem está respondendo pelo órgão neste momento. Tememos possíveis mudanças na Sesai [Secretaria Especial de Saúde Indígena] e cobramos o fortalecimento da Funai”, acrescentou o cacique.

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