Mais da JBS; Inquérito de Temer…

Inquérito contra Temer

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, observa no inquérito contra o presidente Michel Temer a presença de três crimes cometidos pelo peemedebista no exercício do mandato. São eles obstrução de Justiça, corrupção passiva e organização criminosa. Outros investigados pela ação são o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). “Importante registrar que um dos delitos em tese cometidos é o de corrupção passiva, o qual, como é sabido, pressupõe justamente o exercício de cargo, emprego ou função pública por parte do agente”, disse Janot. As revelações foram feitas pela delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, sócios do grupo J&F.

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Propina para Cunha

O empresário Joesley Batista, da JBS, esclareceu em delação premiada o pagamento de 5 milhões de ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) depois de preso pela Lava Jato, mencionado no áudio da conversa entre ele e o presidente Michel Temer. O empresário relatou que o valor era uma parcela final que se refere a uma dívida de 20 milhões de com o ex-deputado, referente à atuação dele na tramitação de projeto de lei que desonerou a cadeia produtiva do frango. Batista ainda diz que informou ao presidente Michel Temer que pagamentos a Cunha haviam cessado, mas ainda dava 400.000 reais de mensalidade a Lúcio Bolonha Funaro, também preso, e operador de Cunha. Em conversa com Batista, o presidente Michel Temer garantiu também que poderia ajudar o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Supremo Tribunal Federal com dois ministros. Não foram mencionados quais dos 11 que compõem o colegiado o presidente teria influência.

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15 milhões de reais

Em conversa gravada pelo empresário Joesley Batista, o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) aceitou propina de 15 milhões de reais para resolver pendências da J&F no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Foi prometido ao congressista 5% do lucro anual de 300 milhões de reais, que a empresa obteria resolvidas as pendências. A J&F controla a Empresa Produtora de Energia, que consome gás da Bolívia, mas é obrigada a comprar o insumo da Petrobras. O preço mais alto gerava interesse de Joesley em adquiri-lo diretamente do país vizinho, gerando economia de 1 milhão de reais por dia.

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Fatura de Cunha

Joesley Batista contou também à PGR que financiou 30 milhões de reais em propina ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para bancar sua campanha à presidência da Câmara, em 2015. “Ele saiu comprando um monte de deputados Brasil afora”, diz o empresário, interessado à época em controle sobre o Congresso para votar medidas favoráveis à empresa. Foram 5,6 milhões de reais em doação oficial, 12 milhões de reais em dinheiro vivo e 10,9 milhões de reais por meio de pagamentos com notas frias. Como se sabe, Cunha obteve 267 dos 513 votos da Casa e foi eleito.

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Ação no TSE

Em mais um diálogo gravado por Joesley Batista, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) contou ao empresário que o presidente Michel Temer pediu que o PSDB retirasse a ação contra a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral depois que Dilma Rousseff sofreu impeachment. “A Dilma caiu, a ação continuou, e ele quer que eu retire a ação. Cara, só que, se eu retirar, e não estou nem aí, eu não vou perder nada, o Janot [procurador-geral da República] assume, o Ministério Público assume essa merda”, diz Aécio. O encontro em questão aconteceu no hotel Unique, em São Paulo, em março deste ano.

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Serra na mira

Joesley Batista também confessou, na delação premiada, ter pago 6,4 milhões de reais em caixa dois à campanha do senador tucano José Serra à Presidência. Outros 13 milhões de reais foram doados oficialmente a Serra. Segundo Joesley, Luiz Fernando Furquim, responsável pelas contas de campanha de Serra e morto em 2009, foi quem cuidou das operações. A assessoria de imprensa de Serra afirma que o senador está confiante que a investigação irá comprovar “a lisura de sua conduta”.

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Sem presentes

A Justiça Federal de São Paulo decidiu que os presentes que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou de chefes de Estado em visitas oficiais pertencem à União, e não a ele. A decisão mantém o que já havia sido decidido pelo Tribunal de Contas da União no passado. O texto do juiz Carlos Alberto Loverra, da 1ª Vara Federal de São Bernardo do Campo (SP), aponta que os presentes pertencem à União porque “ao Brasil foram ofertados e não à pessoa do Presidente”. A determinação também rejeita um pedido da Secretaria de Governo da Presidência da República para que 21 itens do acervo fossem devolvidos. Ainda há possibilidade de recurso, e a defesa de Lula alega que ele não foi ouvido no processo.

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