Marina Silva acusa governo de não priorizar meio ambiente

Marina também criticou o Código Florestal aprovado em 2012 por seu conceito de "desmatamento legal", de até 20% da superfície florestal

Curitiba – A ex-ministra do Meio Ambiente e candidata derrotada nas últimas eleições presidenciais, Marina Silva, disse nesta sexta-feira em entrevista para a Agência Efe que “a preservação do meio ambiente nunca foi uma prioridade deste governo”, em referência ao Executivo da presidente Dilma Rousseff.

Marina, que participou do 8º Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, organizado pela Fundação Boticário, em Curitiba, criticou a atual política ambiental do governo e assinalou que esta “só agrava” a falta de atenção ao setor.

Três dias depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou o registro de seu partido, o Rede Sustentabilidade, a ex-ministra comentou que “neste momento de crise econômica e crise política, quem continua sendo usado como moeda de troca é a agenda ambiental e a agenda ligada aos povos tradicionais”.

Marina defendeu com veemência a importância dos povos indígenas e, se referindo diretamente ao presidente do Senado, Renan Calheiros, apontou que é necessário “questionar os mecanismos de criação das unidades de conservação” para os povos tradicionais.

De acordo com a ex-candidata, a situação é agora mais delicada, já que antes “só o meio ambiente e as questões indígenas” eram utilizadas como moeda de troca, enquanto atualmente estão em jogo os direitos trabalhistas e sociais, devido a um governo que precisa desesperadamente do apoio dos legisladores.

Assim como fez ontem o cineasta Fernando Meirelles durante seu discurso no congresso, Marina também criticou o Código Florestal aprovado em 2012 por seu conceito de “desmatamento legal”, que permite a derrubada por parte dos proprietários rurais de até 20% da superfície florestal de suas terras.

Marina também revelou incômodo pelo que considerou uma anistia concedida pelo governo de Dilma às empresas que desmataram ilegalmente até 2008, sob o conceito de “zona rural consolidada”.

A ex-ministra acredita que esses dois conceitos atrasaram, entre outras coisas, a implantação do Cadastro Ambiental Rural no Brasil, que ela considera como uma ferramenta fundamental para poder estabelecer uma nova legislação que controle o desmatamento no país.

“Obviamente, o grande desafio é pôr em prática as coisas que necessitam ser implementadas, já que o baixo nível de execução acaba levando a situações como a que hoje observamos: temos a constante ameaça de um aumento do desmatamento na Amazônia”, disse.

A ambientalista assinalou que há alguns ecossistemas “muito vulneráveis” e ressaltou que atualmente o Cadastro Ambiental Rural está “muito longe” do que deveria ser.

Segundo os últimos dados divulgados pelo Governo Federal, pouco mais de 50% das propriedades rurais foram cadastradas até maio deste ano.

“Havia toda uma promessa de que haveria um compromisso de desmatamento zero e vemos que estamos diante de uma crescente ameaça, em particular nas regiões onde não deveria estar ocorrendo, já que são terras públicas”, concluiu Marina. EFE

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