Ministros na mira da Lava-Jato

Mais uma vez o presidente Michel Temer sofre com o envolvimento de seu núcleo duro de governo na Operação Lava-Jato. Em viagem à Índia e Japão, teve que assistir de longe mais uma denúncia de recebimento de propinas de seus ministros das mãos de empreiteiras relacionadas ao esquema de corrupção na Petrobras.

O tiro foi doído: segundo a revista VEJA, o ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho mencionou, em negociação para sua delação premiada, que os ministros Moreira Franco (Secretaria do Programa de Privatização de Infraestrutura), Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e o ex-ministro do Planejamento e senador, Romero Jucá (PMDB-RR), receberam vantagens indevidas da empresa.

“Se a cada momento que alguém mencionar o nome de alguém isso passar a dificultar o governo, fica difícil”, disse o presidente Michel Temer aos jornalistas nesta terça. E pode ficar mesmo. Também nesta terça-feira surgiu um caso envolvendo o ministro do Esporte, Leonardo Picciani.

De acordo com depoimento da ex-executiva da Carioca Engenharia Tania Fontenelle, ela teria adquirido cabeças de gado superfaturadas da empresa do ministro para gerar dinheiro em espécie para caixa dois da empreiteira. O presidente se limitou a dizer que vai apurar.

Enquanto Temer espera comprovação dos fatos, as investigações da Lava-Jato já valeram a cabeça de Jucá, do Planejamento, e o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Geddel Vieira Lima também apareceu em investigações que envolviam a empreiteira OAS, mas — sem grande repercussão do caso — continua no cargo.

Em virtude disso, de junho para cá, a escolha de integrantes para o governo foi mais criteriosa e cuidadosa, visando a evitar desgastes com troca de ministros, como aconteceu no primeiro mês de interino — Temer, que havia prometido um “ministério de notáveis”, foi obrigado a ceder à política de coalizão e lotear as pastas entre partidos aliados. É certo que pouco adiantou, mas até esta terça, o clima foi amenizado.

Apesar de ser agenda negativa para Temer, analistas políticos entendem que a operação só pode dar o golpe de misericórdia que o governo tanto teme caso uma denúncia muito contundente atinja diretamente o presidente. Enquanto isso, a fala continua a mesma em Brasília: “vamos apurar”.

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