MST propõe greve geral se impeachment passar pela Câmara

O coordenador do MST falou sobre a crise econômica e disse que o problema não está na corrupção ou na gestão, mas na crise do sistema capitalista

Brasília – João Pedro Stédile, integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra fez um duro discurso contra o processo de impeachment e propôs uma greve geral no país antes de o impeachment ser votado no Senado, caso ele passe pela Câmara no próximo domingo, 17.

“Se o impeachment for para o Senado, antes dele ser debatido lá, temos de fazer um dia de greve nacional nesse País para mostrar para a burguesia que quem produz a riqueza são os trabalhadores”, afirmou.

Ele falou sobre a crise econômica e disse que o problema não está na corrupção ou na gestão, mas na crise do sistema capitalista. “Por que colocar a responsabilidade em uma pessoa se a nossa sociedade e o governo é tão amplo?”, questionou.

“A crise tem muitas causas, uma delas é que o sistema capitalista está em crise”, afirmou.

Stédile ainda disse que dois cenários são possíveis. Em um, o vice-presidente Michel Temer assume a presidência e os movimentos sociais farão oposição na rua; no outro, o governo vence esse processo “e em maio começa o governo Lula 3”.

“E para isso teremos de continuar na rua. Para que o Lula, como coordenador do governador, remonte um novo ministério em diálogo com a sociedade e largue mão desses partidos conservadores”, disse.

Ele afirmou ainda que dia 20 de abril o Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir pela posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil e convocou a militância a ir para as ruas pressionar pela posse dele. “No fundo estaremos decidindo pela posse do Lula 3”, afirmou.

O deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF) – o equivalente a um deputado estadual -, que participa da organização do movimento, disse que espera que, no domingo, quando a Câmara vota o impeachment, ocorram manifestações tranquilas.

Apesar disso, ele ponderou que o conflito é inevitável, mesmo com o muro separando a Esplanada dos Ministérios em norte e sul. “Por nós, vai ser tranquilo, mas, se houver provocação, vai ter resposta”, garantiu.

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