MT cria núcleo para investigar intolerância religiosa

Polícia civil de Mato Grosso criou núcleo específico para investigar crimes de intolerância religiosa no estado

Brasília – A Polícia Civil de Mato Grosso criou um núcleo específico para investigar crimes de intolerância religiosa no estado.

Segundo o delegado geral, Adriano Peralta Moraes, essa era uma demanda antiga, principalmente de membros de centros espíritas, umbanda e candomblé.

“No caso, a polícia civil designou um delegado, um núcleo, para concentrar as ocorrências e ver as que realmente são por intolerância religiosa. Temos furtos de equipamentos eletrônicos dentro de igrejas, por exemplo, que às vezes são crimes comuns e outras vezes, não. Temos fatos de incêndio de templo religioso, por exemplo, o que caracteriza essa ação como de intolerância religiosa“, disse Peralta.

De acordo com o presidente da Federação Nacional de Umbanda e dos Cultos Afro Brasileiros, Aécio Paniagua, disse que, quando apareceu na imprensa a criação do núcleo, várias pessoas ligaram informando que já sofreram perseguições e intolerância religiosa.

“O povo de terreiro, às vezes, fica escondido, com medo, temerário. Ele não levam os casos para a polícia. Mas agora a coisa vai fluir, porque a criação do núcleo vai refletir em denúncias daqui para a frente”.

Escrivão aposentado da Polícia Civil, Aécio Paniagua disse que já foi hostilizado, inclusive no trabalho.

“Eu já sofri, sim, intolerância, já sofri discriminação, dentro até do próprio órgão onde eu trabalhava. Volta e meia, por ser religioso, eu fui vetado em alguns setores onde tentei ingressar”, afirmou.

A delegacia geral não tem estatísticas sobre crimes de intolerância religiosa em Mato Grosso, mas recentemente registrou dois casos. No fim do mês passado, um centro espírita foi incendiado por vândalos em Rondonópolis, a 215 quilômetros de Cuiabá.

No início de agosto, uma casa de umbanda, na capital, teve parte de sua estrutura queimada e objetos roubados.

A Constituição Brasileira estabelece liberdade a cultos religiosos. E quem ofende esse direito fica sujeito a detenção de um mês a um ano ou multa.

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