Mulheres protestam em SP contra lei que dificulta aborto

Ao menos 20 coletivos estão à frente da manifestação

São Paulo – Mulheres que são contra o Projeto de Lei 5.069, que dificulta o acesso ao aborto legal às vítimas de estupro, estão realizando o segundo ato contra a proposta de autoria do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) nesta quinta-feira, 12.

O ato começou no vão do Masp por volta das 17h e o grupo se deslocou para a Avenida Paulista às 18h35.

Ao menos 20 coletivos estão à frente da manifestação. Com rostos pintados e carregando faixas, as mulheres criticam o machismo, a violência contra a mulher e pedem que Cunha seja afastado do cargo.

De acordo com a Polícia Militar, cerca de 350 pessoas participam do ato. Já as organizadoras do movimento falam em 5 mil manifestantes.

Mães com crianças estão entre as participantes do evento. É o caso da advogada Juliana Vieira dos Santos, de 38 anos, que levou a filha Nina, de 1 ano.

“Eu me emociono por fazer alguma coisa com ela. É importante, desde cedo, entender que tem de haver educação para o feminismo. Isso para todas as crianças. Ela não precisa ficar presa ao estereótipo da princesa.”

Integrante da Frente contra o Assédio, Luize dos Santos Tavares, de 19 anos, diz que o principal objetivo do ato é lutar contra a aprovação do projeto de lei.

“Esse PL vai contra os direitos das mulheres que já tinham sido conquistados. Essas atitudes só trazem retrocesso.”

Por volta das 19 horas, a Avenida Paulista estava fechada no sentido Consolação.

Mais de 40 coletivos que defendem os direitos das mulheres apoiam o ato, segundo a página oficial da mobilização no Facebook, entre eles: Articulação de Mulheres Brasileiras, Coletivo Pagú Pra Ver Teatro do Oprimido, Fanfarrarônicas, Frente pela Legalização do Aborto, Útero Punk, Marcha Mundial das Mulheres e Liga Brasileira de Lésbicas.

Pichações

O primeiro ato foi realizado no dia 30 de outubro. Na manhã seguinte, a Catedral da Sé, na região central da capital, amanheceu pichada com inscrições feministas.

Organizadoras do ato disseram que a ação não representava os ideais da manifestação, mas que compreendiam as mulheres que se expressavam contra a instituição.

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