Na Suécia, Dilma nega tentativa de acordo com Cunha

"O acordo de Eduardo Cunha não é com o governo, era com a oposição. Era público e notório. Até na nota aparece"

Estocolmo e Brasília – Durante a visita a Estocolmo, na Suécia, a presidente Dilma Rousseff negou neste domingo, 18, que o governo tenha negociado um acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acuado por denúncia e suspeitas de envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobras. Dilma acusou “a oposição” de firmar um entendimento com Cunha.

Questionada se considera pertinente um arranjo com Cunha para garantir uma trégua nos movimentos pró-impeachment no Congresso, a presidente descartou a hipótese.

“Acho fantástico essa conversa de que o governo está fazendo acordo com quem quer que seja”, disse. “O acordo de Eduardo Cunha não é com o governo, era com a oposição. Era público e notório. Até na nota aparece”, acrescentou, referindo-se a comunicado das bancadas de PSDB, DEM, PPS e PSB na Câmara, no qual pedem o afastamento do cargo do presidente da Câmara para que ele se defenda.

Cautela

Apesar de negar acordo, Dilma procurou não entrar em rota de colisão com Cunha. Ela não comentou as investigações que mostram que o peemedebista mantinha contas secretas na Suíça, nas quais teria recebido propina – e cujo patrimônio oculto no exterior seria de R$ 61 milhões. Mas, indagada sobre a repercussão internacional do caso, repetiu: “Lamento que seja com um brasileiro”.

Sobre a crise política, a presidente afirmou não ver “grandes alterações ao longo desse semestre”, mesmo depois da decisão do Supremo Tribunal Federal que suspendeu a interpretação do presidente da Câmara sobre o rito processual de um eventual processo de impeachment.

O presidente da Câmara também nega acordo, apesar de ter melhorado sua relação com o governo principalmente depois que Jaques Wagner foi nomeado chefe da Casa Civil. Nas últimas semanas, eles já se encontraram pessoalmente duas vezes e falaram diversas vezes ao telefone.

Apesar das novas revelações da Procuradoria-Geral da República sobre as contas atribuídas a Cunha no exterior, o governo não quer fustigá-lo.

Líderes do governo e do PT têm evitado promover ataques públicos a ele. Cunha não aceita falar em renúncia do cargo de presidente da Câmara, pois ainda soma apoios importantes na Casa.

Ele é respaldado pela bancada evangélica e por grupos conservadores que têm como base de apoio policiais e ex-militares. Além disso, na eleição do ano passado, ajudou dezenas de parlamentares a arrecadar recursos para campanhas.

O presidente da Câmara tem dobrado a aposta de quem diz que ele vai cair em breve. Nesta segunda-feira, 19, deve apresentar ao Supremo Tribunal Federal os recursos contra as decisões liminares (provisórias) concedidas na semana passada pelos ministros Rosa Weber e Teori Zavaski.

O presidente da Câmara ainda acredita que pode sair vitorioso quando o plenário da corte avaliar cada uma das medidas. Cunha, contudo, não descarta outra estratégia: revogar a questão de ordem que motivou as ações no Supremo. Isso tornaria sem efeito as liminares e acabaria com qualquer polêmica na avaliação de um novo processo de impeachment.

Novo pedido

A oposição deve apresentar amanhã mais um requerimento de afastamento de Dilma. Antes do recrudescimento das denúncias contra Cunha, os partidos oposicionistas contavam com o apoio do peemedebista para promover o impeachment de Dilma.

Após as novas revelações das investigações, líderes do PSDB passaram a reavaliar sua proximidade com Cunha. Isso fez com que o presidente da Câmara voltasse a ser cortejado por governistas para que ele desistisse do impeachment em troca de ajuda. 

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