Nova delação do fim do mundo

A crise política ganhou novos e estarrecedores capítulos nesta sexta-feira. A delação dos empresários Joesley e Wesley Batista, sócios do grupo J&F, dono da JBS, ficou pública e colocou em evidência as relações podres entre a empresa e os políticos.

Os irmãos, somados ao diretor de relações institucionais da empresa, Ricardo Saud, afirmam em acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal ter repassado nada menos do que 500 milhões de reais de propina em contrapartida às campanhas eleitorais de 2014, sendo 400 milhões de reais disfarçados como doação legal de campanha. Foram agraciados quase 2.000 candidatos de 28 partidos, de 23 estados. São governadores, deputados, senadores e os últimos três presidentes da República: Michel Temer, Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva.

Surgiram também novas acusações contra o presidente Michel Temer, entre as quais pagamentos de 4,7 milhões de reais entre 2010 e 2017 pedidos diretamente por Temer. A JBS, assim como a Odebrecht, tinha uma conta-corrente de onde saíam recursos para financiar campanhas e para quitar dívidas com marqueteiros, como o escudeiro de Temer, Elsinho Mouco. Foram beneficiados outros políticos do PMDB, como Gabriel Chalita e Paulo Skaf. Também cabia a Joesley o pagamento de propinas a Eduardo Cunha, antes e depois de ser preso. Entre os esquemas em prática só na última campanha, Temer teria embolsado 1 milhão de reais em espécie e repassado outros 3 milhões a Eduardo Cunha, no Rio.

As revelações vão muito além do PMDB. Os longos documentos e depoimentos estão sendo analisados pela imprensa durante todo o dia. Alguns detalhes já divulgados: aos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, Joesley afirma ter pagado 150 milhões de dólares em propinas, intermediados pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, por benefícios no BNDES e fundos de pensão. O senador afastado do mandato na manhã de ontem, Aécio Neves, é acusado de receber 80 milhões de reais, de ter usado influência para indicar o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, e para tramitar o projeto de abuso de autoridade no Senado.

Os Batista deram um novo significado à expressão “delação do fim do mundo”.

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