Novas proteínas podem melhorar tratamento da Aids

Grupo identifica duas proteínas que ajudam a entender a efetividade dos tratamentos contra o vírus da Aids

Londres – Um grupo de cientistas identificou duas proteínas que ajudam a entender a efetividade dos tratamentos contra o vírus da aids, segundo revelam dois estudos publicados nesta quarta-feira pela revista britânica “Nature”.

Em ambos trabalhos, desenvolvidos separadamente, os especialistas explicam o funcionamento do mecanismo pelo qual a proteína virótica Nef desencadeia a formação no organismo de anticorpos do HIV-1, a cepa mais comum e patogênica do vírus da imunodeficiência humana (aids).

“Já se sabia que a Nef serve para melhorar a ineficácia das partículas virais do HIV, mas os mecanismos subjacentes não estavam claros”, afirma o comunicado divulgado pela “Nature”.

Durante os últimos anos, a pesquisa com as proteínas Nef, Tat e Rev permitiu desenvolver tratamentos capazes de atrasar o avanço do vírus, mas ainda existe desconhecimento sobre os mecanismos de ação de outras proteínas essenciais para conseguir erradicar a doença.

Neste sentido, estes dois novos estudos, seguindo enfoques diferentes, acharam duas proteínas de membrana, a SERINC3 e SERINC5, que atuam como “fatores de restrição” do HIV-1, ou seja, como proteínas capazes de resistir à reprodução do vírus.

Quando está presente a proteína Nef, se inibem tanto a SERINC3 como SERINC5 mas, em sua ausência, essas proteínas se incorporam às partículas virais e bloqueiam a infecção do HIV-1.

Um dos estudos, dirigido pelo cientista Massimo Pizzato, da Universidade de Trento (Itália), analisou a expressão genética em 31 linhas de células humanas para identificar a SERINC5 e SERINC3 como inibidores do HIV-1.

O outro trabalho, liderado por Heinrich Göttlinger, da Escola de Medicina da Universidade de Massachusetts (EUA), comparou a composição proteica de partículas do “HIV normal” com a de um “vírus com deficiência Nef” e chegou a detectar a existência dos mesmos fatores de restrição.

“As proteínas demonstram que têm o mesmo efeito antiviral em outros retrovírus, como no Vírus da Leucemia Murina, o que sugere que desempenham um papel importante na imunidade antiviral inata”, assinala o documento.

Em particular, ambos autores sugerem que o “fator celular antiviral SERINC5” poderia ser usado como um “gene terapêutico contra o HIV-1”.

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