O futuro dos movimentos que pediram a saída de Dilma

Grupos devem ir menos às ruas, priorizar campanhas nas redes sociais e dialogar com políticos em Brasília

São Paulo – Após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), movimentos sociais que defendiam a saída da ex-presidente, como o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua, devem preparar menos protestos em massa e, como consequência, ir menos às ruas.

Eles pretendem passar a atuar mais em campanhas na internet e fazer interlocução com parlamentares em Brasília para defender projetos econômicos e políticos.

Movimento Brasil Livre: interlocução política

Kim Kataguiri no escritório do Movimento Brasil Livre (Rita Azevedo/Exame.com)

O ativista Kim Kataguiri, do MBL, disse à EXAME.com que o movimento quer passar a funcionar como uma “estrutura suprapartidária”, ou seja, um movimento que agregue vários partidos. “O nosso objetivo não é criar um partido nosso, mas uma bancada liberal que defenda os nossos valores”, afirmou.

Para isso, o movimento quer intensificar o “corpo a corpo” com candidatos em Brasília e até apoiar ativistas do MBL como candidatos a cargos de vereadores e prefeitos por partidos da antiga oposição.

Ao todo, 40 ativistas do MBL serão candidatos a vereador já nas eleições deste ano. Outros 10 concorrem ao cargo de prefeito. Entre os principais partidos com representantes do movimento estão o PSDB e o DEM, mas há candidatos pelo PSC, PPS, PRB, PV, PP e o Partido Novo.

Uma das principais frentes de atuação do grupo a partir de agora é a defesa de propostas políticas e econômicas.

O MBL quer ganhar apoio no Congresso para a aprovação do voto distrital misto e implantação do sistema de parlamentarismo. Já na agenda econômica, diz que vai pressionar o governo de Michel Temer (PMDB) para a aprovação das reformas previdenciária e trabalhista.

“A gente pretende insistir na pauta da reforma da Previdência, com um modelo que seja mais semelhante ao do Chile e da Suécia, que é de poupança. Ou seja, cada um, durante sua vida, deposita em um determinado fundo, que será a previdência futuramente”, afirma Kataguiri. “A grande questão é como vai ser feita essa transição, mas a reforma tem que ser agora porque o modelo já está insustentável.”

Se a interlocução com os parlamentares em Brasília não der resultado, Kataguiri afirma que o movimento pode planejar novos protestos. “Mas acho que as manifestações a partir de agora devem ser menores”, afirma. “Não é saudável para as instituições e nem para a Democracia brasileira uma mobilização permanente dessa forma (como as feitas a favor do impeachment).”

Vem Pra Rua: combate à corrupção

Rogerio Chequer, líder e porta-voz do Vem Pra Rua, durante manifestação a favor do impeachment (Reprodução/Facebook)

Rogerio Chequer, líder e porta-voz do Vem pra Rua, concorda que as manifestações de rua não devem ser tão massivas. “Elas podem acontecer diante da necessidade, se a gente identificar um grande desrespeito à sociedade, de uma parcela grande dos políticos, de um partido”, afirma. “Manifestação não será a única forma de pressionar.”

Ele explica que o Vem Pra Rua pretende “conectar a sociedade e os políticos, especialmente os parlamentares” por meio da criação de ferramentas em que as pessoas possam acompanhar e cobrar seus representantes no Congresso.

Uma das ações será a divulgação do Mapa das 10 Medidas Contra a Corrupção, que vai divulgar a posição dos congressistas nas votações. “A gente não pode deixar que as pessoas eleitas pelo povo escondam suas posições. A ideia é fazer com que os políticos prestem contas com a sociedade”, afirma.

Segundo Chequer, o Vem Pra Rua vai atuar principalmente com os temas “corrupção, renovação política e gestão pública”. “Em termos de combate à corrupção, teremos projetos bem definidos e continuaremos a apoiar a Lava Jato e a lutar contra o fim do foro privilegiado”, diz.

Ele afirma ainda que a interlocução com parlamentares vai continuar. O objetivo é tentar aprovar projetos com temas que o grupo defende, como a reforma político-eleitoral e o voto distrital.

Atos contra Temer

Enquanto esses grupos anti-Dilma deixam de protestar, agora é a vez da nova oposição ir cada vez mais às ruas. Protestos contra o impeachment e contra o atual presidente estão programados em diversas cidades nesta semana.

Neste domingo, a Frente Povo Sem Medo, que reúne movimentos de esquerda, agendou uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, às 15 horas. Mais de 17 mil pessoas estavam confirmadas no Facebook até o final da tarde da última sexta-feira. 

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