Picciani na Lava-Jato; Lula: caçada judicial…

Boi gordo

Para gerar dinheiro em espécie para caixa dois da empreiteira Carioca Engenharia, a ex-executiva Tania Fontenelle teria adquirido cabeças de gado superfaturadas da empresa do ministro do Esporte, Leonardo Picciani. Além do ministro, seu pai Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio, e o irmão Rafael Picciani, deputado estadual, também são controladores da empresa. O caso da executiva, que revelou o esquema para a força-tarefa da Operação Lava-Jato, foi divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo. No negócio, os políticos ficavam com o preço referente ao serviço mais uma “comissão” de 25% a 30%.

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No Japão

O secretário do Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco, reafirmou a jornalistas em Tóquio que é “mentira afrontosa” a acusação do ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho de que ele teria recebido dinheiro para defender interesses da empreiteira. “Jamais falei em dinheiro com ele. Considero a denúncia uma indignidade e, sem provas, uma covardia”, disse em nota. Segundo reportagem da revista VEJA, o ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht acusa também de recebimento de recursos ilícitos o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e o senador e ex-ministro do Planejamento de Michel Temer, Romero Jucá (PMDB-RR).

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Caçada judicial

Em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo desta terça-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz viver em meio a uma caçada judicial, cujo objetivo é “manchar” a sua história. “Devassaram minhas contas pessoais, as de minha esposa e de meus filhos; grampearam meus telefonemas e divulgaram o conteúdo; invadiram minha casa e conduziram-me à força para depor, sem motivo razoável e sem base legal. Estão à procura de um crime, para me acusar, mas não encontraram e nem vão encontrar”, disse no texto da seção de Opinião do jornal. Lula citou os programas sociais criados ou ampliados em seu governo como motivação para viajar pelo país.

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Ignorância

Lula também diz que jamais praticou, autorizou ou se beneficiou do esquema na Petrobras. “Essa ideia foi martelada sem descanso por manchetes, capas de revista, rádio e televisão. Precisa ser provada à força, já que ‘não há fatos, mas convicções’”, escreveu em artigo. Em crítica à Operação Lava-Jato, diz que percebeu em seu depoimento à investigação uma “perigosa ignorância” de procuradores e policiais federais, que segundo ele desconhecem as negociações tradicionais de um governante. “Passados dois anos de operações, sempre vazadas com estardalhaço, não conseguiram encontrar nada capaz de vincular meu nome aos desvios investigados. Nenhum centavo não declarado em minhas contas, nenhuma empresa de fachada, nenhuma conta secreta”. O ex-presidente se diz de “consciência tranquila”, preocupando-se apenas com o que chama de “contínuas violações ao Estado de Direito”, em referência à condução da Operação.

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Segue a Lava-Jato

Enquanto repercutia o artigo do ex-presidente Lula, seus advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira protocolaram pedido de suspeição do desembargador João Pedro Gebran Neto, responsável no Tribunal Regional Federal da 4ª Região pelos processos da Lava-Jato em segunda instância. Um dos argumentos é que Gebran Neto é “amigo íntimo” do juiz federal Sergio Moro, o que poderia contaminar a imparcialidade de julgar suas decisões. Não há prazo definido para a decisão.

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Enquanto isso…

O Ministério Público do Distrito Federal investiga em conjunto com a força-tarefa da Lava-Jato se José Carlos Bumlai foi beneficiado em empréstimos concedidos pelo BNDES ao Grupo São Fernando, de usinas de álcool. O banco repassou cerca de 500 milhões de reais à empresa entre 2008 e 2012, anos dos governos Lula e Dilma. Segundo as apurações, cerca de 101 milhões desse montante foi concedido quando a empresa estava à beira da falência, com participações do banco BTG Pactual e Banco do Brasil como fiadores no negócio. As suspeitas são de fraudes no BNDES com o objetivo de conceder os valores a Bumlai, que os repassaria como propinas.

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For All

A Polícia Federal deflagrou nesta terça a Operação For All (em alusão ao nome do gênero musical forró), que investiga sonegação de impostos de bandas e empresas do grupo A3 Entretenimento. O valor em questão pode ultrapassar 500 milhões de reais, levando em conta apenas a agenda de shows, sem rendimento com vendas de discos e patrocínios. O mais famoso nome da indústria musical envolvido na apuração é a banda Aviões do Forró, cujos vocalistas Solange Almeida e José Alexandre foram levados coercitivamente a depor.

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Resgate ao Fies

O Congresso Nacional aprovou nesta terça o crédito suplementar de 1,1 bilhão de reais ao Ministério da Educação (MEC). A medida inclui o esperado resgate de 702,5 milhões de reais ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que há quatro meses não paga instituições de ensino privadas que recebem estudantes financiados pelo governo. O MEC estava sem pagar as taxas administrativas dos bancos oficiais que operam o programa.

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Conselho de prefeitos

O prefeito eleito de São Paulo, João Doria, convidou os ex-prefeitos recentes da capital paulista para integrar um conselho municipal, que atuará a partir do ano que vem e aproveitará a experiência dos antigos gestores no futuro mandato. A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), o ministro das Comunicações, Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD), e a deputada federal Luiza Erundina (PSOL) já aceitaram o convite. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) e Paulo Maluf (PP) também devem embarcar. Falta apenas o ministro de Relações Exteriores, José Serra. Ele está em viagem pelo governo federal e ainda não foi consultado.

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