PM dispersa protesto do MPL antes de passeata começar

Os ativistas ficaram encurralados, tendo de um lado policiais da Tropa de Choque disparando bombas e, de outro, um cordão de policiais

São Paulo – A manifestação contra o aumento das tarifas do transporte público coletivo de São Paulo foi dispersada pela Polícia Militar (PM) por volta das 19h30 de hoje (12), mesmo antes de começar a se deslocar em passeata.

Desde as 17h, os manifestantes se concentravam na Praça do Ciclista, localizada na Avenida Paulista. Eles pretendiam seguir até o Largo da Batata, na zona oeste, passando pelas avenidas Rebouças e Faria Lima.

No entanto, o policiamento autorizou a manifestação a ser feita apenas em direção ao centro, passando pela Rua da Consolação até a Praça da República.

De acordo com o comando da PM, não haveria negociação com os manifestantes para alteração do percurso definido pela corporação.

Por volta das 19h30, parte dos manifestantes tentou driblar o forte policiamento para seguir em direção ao Largo da Batata, correndo no sentido da Avenida Rebouças, momento em que a polícia começou a disparar bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral, e a bater com cassetetes nos manifestantes.

A polícia passou a disparar também contra a multidão que permanecia na Praça do Ciclista, o que gerou correria.

Os ativistas ficaram encurralados, tendo de um lado policiais da Tropa de Choque disparando bombas e, de outro, um cordão de policiais que impedia a saída dos manifestantes da praça.

A polícia chegou a atirar uma bomba na sacada de um apartamento na Avenida Paulista.

Assim como aconteceu na última manifestação, sexta-feira passada (8), após a ação da polícia, parte dos manifestantes passou a atirar objetos nos policiais, a destruir lixeiras e incendiar objetos na rua.

A ação da polícia de tentar definir o percurso que a manifestação deveria seguir não é comum nas manifestações do Movimento Passe Livre (MPL). Geralmente, os manifestantes fazem uma assembleia e definem o caminho a ser percorrido pela passeata.

O percurso então é informado aos policiais, que passam a seguir os manifestantes na caminhada.

No entanto, na manifestação de hoje, a polícia definiu uma única opção para que os ativistas fizessem o protesto: pela rua da Consolação, com destino à Praça da República.

O professor Pablo Ortellado, da Universidade de São Paulo (USP), que estava na manifestação e estuda os protestos de rua em São Paulo nos últimos anos, disse que esse tipo de ação da polícia foi usado em meados de 2014.

“A polícia definir o caminho da manifestação ocorria nos protestos contra a organização da Copa do Mundo no Brasil”, lembrou Ortellado.

Até o momento, a Secretaria de Segurança Pública, não informou o número de pessoas detidas e feridas durante a ação.

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