Previdência: esforço extra na TV

O governo federal retoma a partir de hoje as propagandas de televisão em favor da reforma da Previdência. Os anúncios haviam sido retirados do ar por decisão da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, com base em um pedido de sindicatos do estado, que reclamavam de publicidade enganosa. As peças passavam a mensagem de que a previdência social poderia “acabar” caso a reforma proposta pelo governo não fosse aprovada. A juíza Marciane Bozanine entendeu que a linguagem era inadequada e promovia “um projeto de reforma ligado a programa do Partido político que ocupa o poder no Executivo federal”.

A ministra Cármen Lúcia, que concedeu a liminar autorizando o governo a voltar a fazer publicidade sobre o assunto, entendeu que a suspensão da propaganda tiraria da administração “os meios necessários para divulgação da proposta de reforma, sua motivação e repercussões”, principalmente porque os debates já foram iniciados no Congresso. A ministra atendeu ao pedido feito pela Advocacia-Geral da União.

O governo, por sua vez, deve mudar a linguagem das propagandas, que sofreram críticas mesmo de aliados. Agora, a principal peça vai reforçar que as novas regras acabarão com privilégios de políticos e servidores públicos. A afirmação não é totalmente verdadeira, uma vez que, para tentar diminuir a pressão política sobre a reforma, Temer retirou da proposta, no mês passado, servidores públicos estaduais e municipais. Além disso, deputados articulam para flexibilizar as regras para a aposentadoria de parlamentares.

Em mais um recuo, o presidente Michel Temer autorizou ontem que o relator, Arthur Maia (PPS-BA), negocie com parlamentares modificações em cinco pontos da proposta apresentada pelo governo. São estes: regras para trabalhadores rurais; salário mínimo para idosos pobres; pensões; aposentadoria de professores e policiais e regras de transição para o novo regime. Ele não autorizou mudanças na idade mínima de 65 anos para homens e mulheres. O recuo aconteceu depois que o jornal O Estado de S. Paulo divulgou um “placar” que apontava que apenas 13 parlamentares eram favoráveis à proposta como apresentada pelo governo, enquanto 84 se diziam favoráveis com ressalvas e 251 eram totalmente contrários.

Com a recente pressão do Congresso, as propaganda na TV vêm em muito boa hora para o governo. Se serão efetivas, é outra história.

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