Propina na Rio 2016?

O Ministério Público da França encontrou indícios de corrupção na escolha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos 2016. Três dias antes da escolha, feita em outubro de 2009, o empresário Arthur Cesar Menezes Soares Filho, conhecido como “Rei Arthur”, teria pago 1,5 milhão de dólares em propina ao senegalês Papa Diack, filho de Lamine Diack, então membro do COI e presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF).

O pagamento teria sido feito com o objetivo de garantir que o pai de Papa Diack votasse a favor do Rio — o que de fato aconteceu. Os esquemas não se restringiram à Rio-2016, e Diack também é acusado de influenciar na escolha de Tóquio como sede de 2020 e de encobrir casos de doping na federação de atletismo. Arthur Soares, por sua vez, é dono da Facility, empresa que presta serviços terceirizados, como limpeza e alimentação, para a prefeitura e o estado do Rio de Janeiro. Segundo o jornal O Globo, o grupo teria recebido 3 bilhões por contratos públicos no Rio.

A proximidade de “Rei Arthur” com o ex-governador Sérgio Cabral já havia levantado suspeitas na Justiça brasileira. Em fevereiro, o empresário prestou depoimento ao Ministério Público Federal nas investigações da Operação Calicute, que investiga esquemas de corrupção comandados por Cabral, preso em outubro. A suspeita é que a Facility tenha repassado 1,7 milhão de reais a empresas acusadas de lavagem de dinheiro.

O Rio foi escolhido como sede dos Jogos em 2016 após tentar sediar os de Atenas-2004 e Londres-2012. A decisão só aconteceu no terceiro turno, quando a capital fluminense teve 29 votos a mais do que a outra finalista, Madri. Tóquio e Chicago também participaram. O diretor de comunicações da Rio-2016, Mario Andrada, disse que a escolha carioca foi uma “eleição limpa” e de ampla maioria. Uma mancha a mais nos Jogos do Rio, que transcorreram sem problemas, mas deixaram uma série de instalações às moscas como herança.

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