Protesto no RJ reivindica verbas em hospitais universitários

A unidade da UFRJ suspendeu as cirurgias e internações eletivas em consequência do atraso nos repasses orçamentários e financeiros

Rio de Janeiro – Vestidos de preto, centenas de estudantes, médicos, residentes e sindicalistas reuniram-se nesta manhã (4) na entrada do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, para protestar contra a falta de verbas do governo federal para os hospitais universitários federais do Rio de Janeiro.

A unidade da UFRJ suspendeu as cirurgias e internações eletivas, nesta semana, em consequência do atraso nos repasses orçamentários e financeiros.

A coordenadora da residência médica em ginecologia do hospital, Vera Fonseca, que estava entre os manifestantes, disse que a situação está péssima.

“Nossos pacientes com câncer não podem ser operados. Esta semana faltou álcool, falta anestésico. As faltas de material já vêm ocorrendo há muito tempo, mas chegamos a um ponto crítico”, comentou ele.

“Uma cirurgia que hoje pode ser altamente conservadora, esperar mais um mês pode ser completamente mutiladora. Então, isso interfere ao máximo no atendimento assistencial e educacional”.

O diretor do Hospital, Eduardo Côrtes, explicou que desde segunda-feira, 86 cirurgias deixaram de ser feitas e os 250 leitos reduziram-se a 180.

“Reduzimos os gastos dos nossos estoques com pacientes que podemos reprogramar para não faltar para os pacientes de urgência”, disse.

O hospital precisa de cerca de R$12 milhões para pagar dívidas e fornecedores. “Um hospital sem recursos demonstra desrespeito com o pacientes”, disse.

Côrtez disse que tem recebido a colaboração de vários fornecedores, que entregam o material mesmo sem pagamento.

O aluno do 8º ano de medicina da UFRJ André Almeida citou alguns problemas crônicos na instituição, como a falta de água quente para tomar banho, escassez de remédios e material médico.

“Vivemos uma situação de subfinanciamento, tanto via SUS quanto via Ministério da Educação, que impõe muito sofrimento aos nossos pacientes e diminui drasticamente a qualidade da nossa formação aqui no hospital”.

Para a estudante Maiara Alvez, que cursa o 7º período de medicina, o sucateamento do hospital se estende há muitos anos.

“Temos aulas com profissionais bem capacitadas que estão nos passando o melhor conhecimento teórico, mas não temos condições de colocar essa teoria em prática”, comentou.

“É um hospital enorme, temos um fluxo gigante de pacientes e os melhores especialistas, mas falta sabão para lavar a mão. Trazemos nosso álcool e luvas de casa, desde que entrei na faculdade. Isso é um desestímulo enorme para com os alunos. A maioria dos meus amigos recém-formados se desencantaram com essa realidade do Sistema Único de Saúde.”

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Pablo Vazquez Queimadelos, informou que vai solicitar uma audiência com os ministros da Saúde e da Educação para solucionar o problema.

“Existe uma denúncia grave de que as universidades que não aderiram a Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), receberam menos verba do que às que aderiram. Uma arbitrariedade e não podemos deixar que isso ocorra”.

Para Côrtes, é uma infeliz coincidência que alguns hospitais que aderiram à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) do mesmo porte e número de alunos que a UFRJ, tenham recebido o dobro de recursos federais no ano passado.

“O critério para se distribuir recursos não pode ser de ocasião. Não posso acreditar que essa pressão política seja verdade, pois ela é ilegal. Mas o Tribunal de Contas da União vai averiguar, disse o diretor.

O Ministério da Saúde negou, no último dia 22, qualquer  pressão para que os hospitais assinem contrato com Ebserh.

Em nota, informou que o repasse é definidos por diversos critérios e não há como comparar os valores repassados para cada unidade de forma igualitária, tirando-se a média do total de recursos repassados.

Os manifestantes marcaram novo protesto para a próxima quinta-feira (10) em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro até a Cinelândia, no centro. 

Na próxima quarta-feira (9), haverá manifestação no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, da UniRio, que teve 106 de seus leitos fechados desde 2012.

Também na quarta-feira, a UFRJ fará audiência pública para apresentar à comunidade universitária o quadro orçamentário de 2015 e as perspectivas para 2016.

A audiência será das 9h às 13h, no Auditório Horácio Macedo (Roxinho), no CCMN, Cidade Universitária. Haverá transmissão ao vivo pela WebTV da UFRJ, no endereço: www.webtv.ufrj.br.

Hoje, até a publicação desta matéria o Ministério da Educação não havia se manifestado sobre o assunto.

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