Reformas recomeçam; Loures não sabia…

“Se quiserem, me derrubem”

O presidente Michel Temer concedeu entrevista ao jornal Folha de S. Paulo sobre a crise política desencadeada após as revelações da delação premiada dos sócios do grupo J&F, Wesley e Joesley Batista. Entre outras afirmações, o peemedebista disse que não deu a “menor atenção” ao que Joesley quis dizer com “liquidar pendências” com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ou ao fato de Joesley dizer que tinha controle sobre juízes federais. Temer minimizou também a ausência do encontro em sua agenda oficial e disse não saber à época que o empresário era um investigado da Justiça, mesmo com três investigações em curso. Adiante, o presidente chama de “coitado” o deputado federal Rodrigo Rocha Loures, dizendo que se trata de alguém de “muito boa índole”, mesmo depois de o parlamentar ser flagrado recebendo 500.000 reais em dinheiro vivo das mãos de Ricardo Feud, da J&F. Não menos importante, Temer reafirmou o que disse nos pronunciamentos: “Se quiserem, me derrubem, porque, se eu renuncio, é uma declaração de culpa”.

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70% de chances

A consultoria de risco político Eurasia avalia em 70% as chances de queda do presidente Michel Temer, diz relatório divulgado nesta segunda-feira. Para os analistas, a maior chance de deposição seria via Tribunal Superior Eleitoral, onde corre uma ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer e tem julgamento marcado para o dia 6 de junho. Os 30% de sobrevivência estão ligado ao convencimento do Congresso da necessidade de passar uma reforma “aguada” da Previdência. “A soma de todas as alegações contra Temer ainda não pode ser totalmente explicada e ele também terá problemas para manter junta uma coalizão para aprovar reformas”, diz o documento. Desde dezembro a consultoria avaliava as chances de Temer não terminar o mandato, mas até agora a avaliação de queda ficava em 20%.

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Gravador chegando

O gravador usado por Joesley Batista para grampear as conversas com Michel Temer, o ex-assessor presidencial e deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi enviado ao Brasil para ser periciado pela Polícia Federal, em Brasília. Trata-se de um pedido da defesa de Temer, que tenta anular a gravação como prova de crimes investigados no Supremo Tribunal Federal a pedido da Procuradoria-Geral da República. O equipamento chega nesta terça-feira 23. Depois da análise, serão respondidas 31 perguntas protocoladas por acusação e defesa para saber se há edições no áudio e se a sequência das falas foi alterada.

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Ele não sabia

O deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) pretende isentar o presidente Michel Temer das acusações de corrupção. O discurso será de que não sabia que havia 500.000 reais na mala entregue por ele pelo diretor da J&F Ricardo Feud e que Temer nada tem a ver com o dinheiro. O discurso afasta a hipótese de que Loures poderia fazer uma delação premiada para comprometer o presidente. Segundo o G1, Temer diz a assessores que se o deputado for delatar terá de “inventar” fatos envolvendo o presidente. A mala, contudo, está desaparecida, segundo a Polícia Federal.

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Segue o jogo

O relator da reforma trabalhista nas comissões de Assuntos Econômicos e de Assuntos Sociais, Ricardo Ferraço (PSDB-ES) voltou atrás na resolução de suspender a tramitação da agenda de Michel Temer no Congresso até que se resolvesse a crise política. Para tanto, o senador apresentará já nesta terça seu parecer sobre a reforma na CAE, favorável à aprovação do texto. “A crise institucional que estamos enfrentando é devastadora e precisamos priorizar a sua solução, para depois darmos desdobramento ao debate relacionado à reforma trabalhista. (…) Não há como desconhecer um tema complexo como o trazido pela crise institucional. Todo o resto agora é secundário”, disse na semana passada. Hoje, o senador afirmou que é “gravíssima” a possibilidade de as Casas Legislativas “deixarem de trabalhar” por causa da crise no governo.

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Atraso de “semanas”

Na esteira da resolução de Ferraço, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirma que as reformas vão atrasar em “algumas semanas” depois da turbulência no governo Temer. “O ponto principal é que a reforma vai mostrar os resultados. (…) O importante é a confiança de que será aprovado”, disse em teleconferência com investidores do banco JP Morgan. “entendo que a agenda de reformas é algo que está além do cenário político”. Para tranquilizar os investidores, Meirelles lembrou de crises semelhantes em 2002, com eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, e 2005, com o escândalo do mensalão, em que crises tiveram pouco impacto quando a condução da economia foi resistente ao plano político.

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Pedido de impeachment

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Claudio Lamachia, esclareceu em coletiva de imprensa nesta segunda-feira os detalhes do pedido de impeachment que o grupo vai protocolar na Câmara dos Deputados contra o presidente Michel Temer. A denúncia acusa o presidente de crime de responsabilidade, violação ao artigo 85 da Constituição, por atitude incompatível com o cargo, ao receber o empresário Joesley Batista, investigado da Justiça, no Palácio do Jaburu e fora da agenda oficial da Presidência. “Se o presidente da República sabia que estava diante de um interlocutor que é um fanfarrão e um delinquente ele não deveria ter recebido (Joesley)”, disse Lamachia. A ordem pretende levar o pedido à Câmara até sexta-feira.

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