Revista nos EUA compara crise do Brasil à crise argentina

Americas Quarterly mostra que, assim como na Argentina de 2001, o Brasil de 2016 pede "a saída de todos"

São Paulo – A revista Americas Quarterly comparou a atual crise brasileira com a crise da Argentina no começo dos anos 2000.

Em artigo de Brian Winter, a publicação encontra semelhanças entre o movimento “Que se vayan todos” na Argentina e o desejo atual no Brasil de promover um grande “recomeço” na política.

Em 2001, a economia argentina entrou em colapso. O governo de Fernando de la Rua destruiu as contas públicas. Quando as manifestações nas ruas se tornaram violentas, o presidente renunciou (e fugiu de helicóptero).

Os dias seguintes não foram melhores. Em duas semanas, o país teve cinco presidentes diferentes. Ninguém dava conta do grande desafio à frente.

Nascia ali o slogan “¡Que se vayan todos!”: “Que saim todos!”. Era um momento de renovação total. O resultado foi Nestor Kirchner, vencedor com apenas 22% dos votos.

Segundo a AQ, momento semelhante toma conta do Brasil.

“A economia não está tão ruim quanto estava a da Argentina naquela época, e ninguém ainda embarcou em um helicóptero. Mas o público brasileiro parece estar chegando à mesma conclusão — de que ninguém no cenário político atual é competente ou limpo o suficiente para lidar com a enorme crise que o país enfrenta”, diz o artigo.

O texto lembra que os “sucessores” de Dilma – Michel Temer, PMDB e Eduardo Cunha – estão manchados e enfrentam denúncias de corrupção.

Assim, já é possível encontrar nas ruas cartazes com a frase “Fora Todos Eles”. 

O PSTU é um dos partidos que defende a saída total do PT, mas nem de longe espera encontrar no PMDB e no PSDB a solução. A sigla defende eleições gerais imediatas.

 Sobre a economia, Winter analisa: 

“Mesmo que o processo de impeachment prossiga, agora parece que um governo Temer não seria a panaceia que muitos investidores esperavam. Colocar a economia brasileira nos trilhos é relativamente simples —vai ser necessário austeridade, uma abertura ao comércio, e uma guerra contra a burocracia que sufoca as pequenas e grandes empresas”.

Contudo, essas medidas duras porém necessárias seriam impopulares – o que dificultaria o mandato de qualquer sucessor de Temer. Ou seja, manifestações e insatisfações continuariam. 

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