Rio se despede de Olimpíada marcada por festas e problemas

Uma certa dose de melancolia se misturou a uma grande celebração na cerimônia de encerramento dos Jogos Rio 2016

Rio de Janeiro – Uma certa dose de melancolia se misturou a uma grande celebração na cerimônia de encerramento dos Jogos Rio 2016 na noite deste domingo, no encerramento da primeira Olimpíada realizada na América do Sul, que foi marcada por momentos de festa mas também por problemas.

Longe de ter sido perfeita, com problemas que foram de cadeiras vazias em estádios a piscinas misteriosamente verdes, passando por sustos com a violência, a Olimpíada chegou ao fim em alta para os brasileiros graças às medalhas de ouro no futebol e no vôlei, que consolidaram a melhor participação do país em uma edição dos Jogos, com 19 medalhas, sendo 7 de ouro.

No mesmo estádio do Maracanã onde tudo começou há 16 dias, o último ato dos Jogos teve início com um passeio sobre os famosos pontos turísticos da cidade como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar sob o ponto de vista dos pássaros, antes da formação dos cinco anéis olímpicos no gramado.

Em uma noite de chuva e ventos fortes, ruas no entorno do estádio ficaram às escuras pouco antes do começo da cerimônia devido a uma queda no fornecimento de energia, que também afetou brevemente algumas áreas do Maracanã, sem prejudicar o início da festa. Alguns assentos do estádio, no entanto, ficaram vazios.

Músicas tradicionais brasileiras abriram caminho para a entrada no palco de algumas centenas dos 11.000 atletas que estiveram na cidade para os Jogos e para a última cerimônia de medalhas, da maratona masculina realizada mais cedo neste domingo.

A cidade depois entregará a bandeira olímpica para Tóquio, sede dos Jogos de 2012, e apagar a chama olímpica que está acesa desde 5 de agosto em um pequena e ambientalmente sustentável pira que foi levada de volta da região portuária do Rio para o Maracanã.

Dentro das arenas o Rio será lembrado pelo retorno do nadador norte-americano Michael Phelps, que ganhou cinco medalhas de ouro e uma de prata, ampliando seu histórico como maior medalhista olímpico de todos os tempos.

O corredor jamaicano Usain Bolt encerrou sua brilhante carreira olímpica com mais três medalhas de ouro em provas de velocidade, repetindo os feitos de Pequim 2008 e Londres 2012, e a ginasta norte-americana Simone Biles, porta-bandeira dos EUA no encerramento, estreou em Olimpíadas igualando o recorde de quatro ouros em uma única edição dos Jogos.

Do lado do Brasil, finalmente chegou ao fim a espera por uma medalha de ouro no futebol, com a vitória nos pênaltis do time de Neymar sobre a rival Alemanha na final no mesmo Maracanã, enquanto Isaquias Queiroz, porta-bandeiras do Brasil neste domingo, se tornou o maior medalhista do país numa mesma edição dos Jogos, com três (duas pratas e um bronze).

“MESMO COM NOSSOS PROBLEMAS” Em alguns momentos, no entanto, foi difícil se concentrar nos grandes momentos esportivos acontecendo pela cidade.

Um dos incidentes marcantes da Olimpíada aconteceu quando o nadador norte-americano Ryan Lochte, um dos mais condecorados do país, disse ter sido roubado à mão armada, o que aumentou as preocupações com a segurança após uma série de outros incidentes de roubo envolvendo autoridades estrangeiras e turistas.

Mas a história de Lochte foi desmentida pela polícia, que descobriu que o nadador inventou o assalto para esconder um ato de vandalismo em um posto de gasolina após uma noite de bebedeira com três companheiros de equipe. Lochte e o Comitê Olímpico dos EUA se desculparam pelo incidente.

Apesar dos problemas, incluindo duas balas perdidas encontradas no centro olímpico de hipismo e a morte de um agente da Força Nacional de Segurança que entrou por engano em uma favela, os Jogos do Rio não sofreram qualquer grande incidente de violência como os recentes ataques com muitos mortos na Europa e nos Estados Unidos.

A presença das forças de segurança foi imponente, como parte de um esquema com 85.000 homens, duas vezes o tamanho do esquema implantado em Londres há quatro anos.

“Mesmo com todos os nossos problemas fizemos uma boa Olimpíada. Não aconteceu nada muito ruim, acho que foi melhor do que o esperado”, disse Nívea Araújo, moradora do Rio presente ao encerramento.

Uma das preocupações agora que os Jogos chegaram ao fim será o custo final da realização da Olimpíada em um país que enfrenta sua pior recessão nas últimas décadas, e quanto desse dinheiro de fato ajudou a melhorar a infraestrutura da cidade.

E, a partir de segunda-feira, sem mais a distração da Olimpíada, o Brasil volta a encarar a realidade das crises econômica e política, com expectativa de votação final do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff até o fim do mês.

O presidente interino, Michel Temer, que foi vaiado pelo público na abertura dos Jogos, não compareceu ao encerramento. (Reportagem adicional de Pedro Fonseca)

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