Segurança em grandes mineradoras ganha atenção após desastre

O acidente em Mariana está sendo visto como o pior da história da mineradora anglo-australiana BHP Billiton, que detém 50% da Samarco

Sydney – O rompimento de duas barragens da mineradora Samarco em Bento Rodrigues, distrito de Mariana (MG), está sendo visto como o pior acidente da história da mineradora anglo-australiana BHP Billiton, que detém 50% da Samarco.

A outra sócia da Samarco é a brasileira Vale. O desastre ocorre num momento em que parecem haver estagnado as melhorias em acidentes com trabalhadores nas grandes mineradoras.

O acidente em Minas Gerais é diferente de grande parte dos acidentes do setor de mineração no passado, que tipicamente ocorrem dentro de minas profundas. De toda forma, as grandes empresas tem visto um crescimento no número de acidentes fatais em 2015 enquanto elas promovem fortes cortes de custos para se manterem rentáveis em meio a queda nos preços de commodities.

A BHP já registrou cinco fatalidades no ano fiscal encerrado em junho, em operações na Austrália, Chile e África do Sul. Nos doze meses anteriores, nenhum acidente havia sido registrado.

Outras gigantes também tem visto elevação em acidentes com mortes. A Rio Tinto reportou três mortes nos primeiros oito meses de 2015, comparadas com duas em todo o ano de 2014. Na primeira metade de 2015, a Anglo American reportou cinco mortes ante um total de seis em todo ao ano passado. A Glencore teve oito mortes de trabalhadores ante 16 em 2014.

A pequena alta nas fatalidades veio apesar dos esforços em redução de mortes nos últimos anos. Grandes minas fortemente mecanizadas diminuíram a força de trabalho e permitiram uma queda consistente na frequência dos acidentes.

As empresas tem demonstrado interesse em compartilhar conhecimento sobre segurança, estabelecendo padrões globais. Também tem havido a inclusão de métricas de segurança entre os elementos de cálculo para os bônus de executivos.

Apesar disso, há um risco de que os sucessos recentes tenham criado uma certa complacência, diz David Cliff, professor de saúde ocupacional e segurança na mineração na universidade Queensland, na Austrália.

Em um artigo, ele afirmou que a pressão para que as minas aumentem a produtividade e reduzam mão de obra pode “levar a reversão na cultura de melhoria da segurança”.

Na BHP, a alta recente em acidentes fatais levou a três meses de estudos nos quais a companhia pediu informações aos funcionários sobre quais deveriam ser as prioridades da empresa em segurança nos próximos dois anos.

A companhia, porém, reporta apenas fatalidades nas operações que ela mesma opera, algo comum na indústria. A Samarco opera de forma independente, embora tanto a BHP como a Vale sejam membros do Conselho de Administração.

Para algumas mineradoras, os acidentes estão relacionados aos países onde elas operam. A Glencore alega que a maioria das fatalidades que ocorreram na empresa no ano passado ocorreram em “geografias desafiadoras, que não tinham cultura de segurança” antes da companhia assumir.

O calcanhar de Aquiles na segurança da Anglo American há muito tempo tem sido sua mina de platina na África do Sul, onde ocorreram metade das fatalidades que a empresa reportou no ano passado.

A maioria dos acidentes de mineração ocorrem, porém, em minas fora do controle das grandes empresas. Foi o caso do acidente com os 33 mineiros chilenos que ficaram presos por 69 dias. A mina era gerida por uma pequena empresa chilena, a Compañia Minera San Esteban Primera.

A China continua a reportar uma série de acidentes fatais na mineração. Apesar disso, o número de mortes relacionadas a minas de carvão caiu no último ano segundo o governo. Os casos fatais foram menos de 1 mil em 2014 quando em 2002 chegaram a haver quase 7 mil mortes.

Nos Estados Unidos, acidentes fatais na mineração subiram de 42 em 2013 para 45 ano passado. Este ano, os acidentes estão abaixo desse nível, com 25 mortes registradas até o dia 6 de novembro. Fonte: Dow Jones Newswires.

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