Serra considera impeachment “remédio amargo”, mas necessário

Serra é cotado para assumir Ministério das Relações Exteriores em eventual governo de Michel Temer

Cotado para assumir o Ministério das Relações Exteriores no eventual governo do vice-presidente Michel Temer (PMDB), o senador José Serra (PSDB-SP) disse hoje (12) que o impeachment da presidenta Dilma Rousseff se impõe como um “remédio amargo”, mas essencial.

O tucano ressaltou a legalidade do impeachment e afirmou que o afastamento de Dilma é resultado da “insensatez” da própria presidenta e do PT.

“Sou a favor do impeachment sem nenhuma alegria, nenhuma comemoração. O impedimento é um processo arrastado, penoso, causa constrangimentos pessoais, produz até alianças estranhas, representa uma quase tragédia para o país. Deveríamos, de toda maneira, buscar evitá-lo, se pudéssemos e se fossem outras as circunstâncias. Agora, esse impedimento se impõe como um remédio amargo, mas essencial”, discursou Serra.

Para o tucano, além das razões citadas na denúncia que motivou a abertura de processo de crime de responsabilidade, a baixa popularidade de Dilma e os maus resultados da economia tornam o impeachment a melhor e única saída para o país.

“A continuidade do governo Dilma seria um tragédia maior. Duvido que alguém nesse plenário ache que chegaríamos a 2018 sem que a situação se deteriorasse de maneira insuportável.”

Em seu discurso, Serra lembrou o “derretimento” da produção, do emprego, das condições sociais de vida da população, da moral do mundo político, a exacerbação dos conflitos dentro e fora da política e o risco de um colapso do Estado Democrático de Direito como razões para o afastamento.

“Existem indícios de crimes de responsabilidade. e eles não deixam outra saída senão o afastamento. E a presidenta não está sendo derrubada por seus adversários, por cartórios organizados, por grupo de conspiração. Ela está sendo destituída pela marcha da insensatez que ela própria e o seu partido deflagram a partir do seu primeiro mandato.”

O tucano ainda acusou Dilma e o PT de praticar “estelionato eleitoral” e de não cumprir o programa apresentado durante a eleição presidencial de 2014.

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