Sífilis congênita cresce mais de 100% em 5 anos no Rio

Em 2010, houve 1.535 bebês contaminados por sífilis pelas mães durante a gravidez. Em 2014, foram 3.588 - aumento de 133,7%

Rio de Janeiro – Entre 2010 e 2014, o número de casos da sífilis congênita mais que dobrou nas maternidades da rede pública estadual do Rio.

Em 2010 houve 1.535 bebês contaminados pelas mães durante a gravidez. Em 2014, foram 3.588 – aumento de 133,7%. Ao todo, no período, foram notificados 13.013 casos de sífilis congênita no Estado do Rio.

A doença pode provocar malformação fetal, surdez e cegueira nos bebês se não houver tratamento. A Secretaria de Estado de Saúde anunciou na sexta-feira, 16, uma campanha contra a doença.

Para Hellen Campos Ferreira, professora da Escola de Enfermagem da Universidade Federal Fluminense (UFF), o aumento do número de casos evidencia falhas no pré-natal, na distribuição de kits de testagem rápida e até de medicamentos no período.

“Há várias falhas que precisam ser levadas em consideração. O pré-natal não é eficiente na prevenção dessa doença. Também temos um comportamento social do homem que não se sente contaminado, não comparece ao tratamento e volta a transmitir a doença para a mulher. E tivemos também falta de insumos. As unidades básicas de saúde não receberam kits de testagem rápida no segundo semestre de 2014 e também há falta de medicamentos a partir de abril do ano passado”, afirmou Hellen, coordenadora da residência em enfermagem obstétrica.

De acordo com os dados da Secretaria de Estado, em relação à faixa etária da mãe, houve maior porcentual de gestantes contaminadas com idades entre 20 e 34 anos de idade, representando 61,4% dos casos diagnosticados, no período de janeiro de 2010 a agosto de 2014. Dos 13.013 bebês contaminados, em 76% dos casos o parceiro sexual não aderiu ao tratamento.

Hellen fala que as mulheres aderem mais ao tratamento durante o pré-natal. “Sífilis é doença tratável. O casal é chamado à unidade de saúde, recebe a prescrição para as injeções intramusculares de penicilina cristalina, a recomendação para usar preservativo. Mas há uma questão de gênero forte e o homem abandona o tratamento. Com a gestante, conseguimos que ela faça o tratamento como um todo, mas quando repetimos o exame, é comum ela ter sido reinfectada”, afirmou a especialista.

O subsecretário de Vigilância em Saúde, Alexandre Chieppe, disse que o crescimento no número de casos é um “fenômeno nacional” e nega que tenha havido falha na distribuição de kits de diagnóstico.

Ele confirma que há um problema mundial no fornecimento de penicilina. “Os laboratórios produtores diminuíram a produção. A oferta é aquém da necessidade. Esse é um nó crítico no gerenciamento da sífilis, que precisa ser solucionada com compra internacional ou produção interna do produto”, afirmou Chieppe.

A secretaria fechou pacto com os 92 municípios para adotarem nova estratégia para a sífilis.

“Um dos pontos é o de inserir o parceiro no tratamento, não apenas a gestante. Um grande problema é a reinfecção porque o parceiro não teve o tratamento adequado”, disse Chieppe. De acordo com ele, houve o compromisso de garantir os kits de diagnóstico rápido nas unidades básicas.

Também foi lançada campanha de conscientização da população, na tentativa de aumentar a adesão ao tratamento. A sífilis congênita é causa importante de aborto tardio. Nas crianças, pode provocar alterações mentais, ósseas, cardiovasculares, entre outras sequelas.

Números da sífilis congênita
2010 – 1.535
2011 – 2.268
2012- 2.667
2013 – 2.955
2014 – 3.588
fonte: Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro

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