Tenho horror a CPI, disse Sergio Guerra ao pedir R$ 10 mi

Em vídeo, os políticos discutiram "a necessidade de concluir as investigações da CPI da Petrobras de 2009 preferencialmente com um relatório 'genérico'"

São Paulo – Um vídeo entregue ao Ministério Público Federal, parte da denúncia contra o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), mostra, em 2009, o então presidente do PSDB Sérgio Guerra em uma reunião com o diretor de Abastecimento da Petrobras naquele ano, Paulo Roberto Costa, o próprio Dudu da Fonte, o lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, um executivo da Queiroz Galvão, Ildefonso Colares Filho, e um empreiteiro da Galvão Engenharia, Erton Medeiros.

No encontro, segundo a Procuradoria-Geral da República, os seis discutiram “a necessidade de concluir as investigações da CPI da Petrobras de 2009 preferencialmente com um relatório ‘genérico’ sem a responsabilização das pessoas”.

Sérgio Guerra morreu em 2010. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou ao Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira, 22, Eduardo da Fonte, por corrupção passiva, por intermediar a solicitação de R$ 10 milhões a Paulo Roberto Costa para que o então senador Sérgio Guerra agisse para barrar a CPI.

Segundo a denúncia, a propina saiu de empresas participantes de esquema instalado na Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

Na denúncia, Janot afirma que Guerra era membro da CPI no Senado e atuou para que os demais parlamentares do PSDB, partido presidido por ele na época e então de oposição ao Governo, não aprofundassem as investigações.

De acordo com o procurador, Eduardo da Fonte “tinha conhecimento do esquema criminoso instalado na Petrobras e interesse na sua manutenção, por isso participou de toda a negociação para a solicitação e o acerto da propina”.

O deputado era do PP, partido responsável pela indicação e manutenção de Paulo Roberto Costa no cargo de diretor e beneficiário de contratos firmados por essa Diretoria.

“Como de praxe em situações dessa natureza, a conversa se deu, em muitas passagens, em termos velados, isto é, não se dizia diretamente palavras como ‘propina’ nem ‘vantagem indevida’.

Todavia, a simples realização da reunião (…) não deixa dúvidas da ilicitude do que ali se tratava”, aponta a denúncia.

Na conversa com seus interlocutores, Guerra disse que não concordava com a Comissão Parlamentar de Inquérito. “Eu tenho horror a CPI (…). Fazer papel de Polícia, parlamentar fazendo papel de Polícia”, afirmou.

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