Um governo que nasce rachado

O senador Ronaldo Caiado foi um dos principais apoiadores do impeachment. Compareceu às passeatas na Avenida Paulista, em São Paulo, e fez discursos inflamados no Senado, apoiando a saída da ex-presidente e o novo governo de Michel Temer. Mas, menos de duas horas depois da votação, antes mesmo de Temer assinar o termo de posse, o senador já anunciava que não faria mais parte da base do governo.

Seu exemplo mostra o tamanho do desafio parlamentar do novo governo. Caiado não gostou da manobra de Renan Calheiros, e de boa parte do PMDB do Senado, que salvou a elegibilidade de Dilma Rousseff. Cassio Cunha Lima, líder do PSDB, disse que a bancada dos tucanos sairia da base e Aloysio Nunes, líder do governo, chegou a entregar o cargo ao presidente, que não aceitou. Pouco depois, Aécio Neves, presidente do partido, afirmou que Temer ligou para ele para se explicar, dizendo que também foi pego de surpresa.

A ligação serviu para acalmar os ânimos. No final da tarde, Aécio e o presidente do Democratas, Agripino Maia, se reuniram. Decidiram não questionar a decisão no Supremo Tribunal Federal. Mas Agripino mandou um aviso. “Se o governo insistir em ser uma cobra de duas cabeças, não contará conosco. O PMDB precisa dar o exemplo nas reformas, a começar pelo aumento do Supremo”, afirmou.

PSDB e DEM dizem querer um ajuste fiscal duro. É importante para o projeto político dos partidos em 2018. Já o governo muito provavelmente terá de fazer concessões para manter a governabilidade. A votação para o reajuste do judiciário, marcada para ontem após a sessão do impeachment, foi adiada como consequência disso.

No final do dia, o único que saiu completamente vencedor neste 31 de agosto foi Renan Calheiros, que articulou uma espécie de salvação para Dilma, e mostrou ao governo que é cada vez mais indispensável. Neste momento, ele e Temer estão lado a lado, rumo à China.

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