AT&T e Time Warner contra a Justiça americana

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apelou, na semana passada, de uma decisão que permitia a fusão entre a empresa de telecomunicações AT&T e a empresa de mídia Time Warner, um negócio de 85 bilhões de dólares que já havia sido fechado há um mês. Na prática, o governo está pedindo que cortes federais revejam uma decisão já tomada em favor da fusão das empresas. Esta semana o caso deve ter novos desdobramentos. 

O argumento da Justiça é que a fusão não apresenta evidências suficientes de que irá melhorar o sistema de transmissão de TV a custos menores para o consumidor, conforme prometeram as empresas. A decisão do governo para a AT&T e a Time Warner, que já estavam em processo de integração, com a divisão dos canais HBO, da Time, sendo pressionada pela AT&T para aumentar sua produção e competir com concorrentes como Prime Video, da varejista online Amazon, ou com as produções da Netflix. A empresa inclusive havia lançado, após a fusão, o serviço WatchTV, que dava acesso a 30 canais em streaming para clientes de telefonia da AT&T ou via pagamento mensal.

Mas outras fusões que pendem na balança podem ser afetadas pela decisão judicial. No final de junho, o Departamento de Justiça havia já liberado a fusão entre a gigante de mídia Disney e os estúdios 21st Century Fox — com a condição de que os canais de TV e a rede esportiva da Fox não fizessem parte do acordo, para não conflitar com o canal esportivo ESPN, que já faz parte do catálogo da Disney. Apesar de uma aprovação prévia da Justiça, o acordo permanece sem ser fechado, já que a Disney e a rede Comcast estão numa guerra de preços para comprar a divisão de estúdios da Fox, com a Disney oferecendo 70.4 bilhões de dólares, depois que a Comcast ofereceu 65 bilhões.

Para Randall Stephenson, presidente da AT&T, a possibilidade de essa fusão ser revertida é muito baixa. “A chance de isso acontecer é muito remota. Nós somos os donos da Time Warner, o negócio foi fechado”, disse em entrevista ao jornal americano The Wall Street Journal. Apesar disso, a incerteza paira no ar: na última sexta-feira, após o anúncio, as ações da empresa recuaram 1,74%. 

 

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