O que acontece quando ninguém quer ser chefe?

Empregos e salários estão crescendo nos EUA, o que deveria sinalizar um bom momento para as empresas. O problema é que ninguém que estar à frente delas

Empregos e salários estão crescendo nos EUA, o que deveria sinalizar um bom momento para as empresas – mas o problema é que ninguém que estar à frente delas.

Apenas um terço dos trabalhadores norte-americanos acredita que se tornar gerente representa um avanço na carreira, de acordo com uma pesquisa recente realizada pelo site de contratação profissional Addison Group.

O relatório, composto por 1.496 respostas de funcionários norte-americanos nascidos entre 1946 e 1995, também mostra que somente 25 por cento deles estão interessados em se tornar gestores mais eficientes e 17 por cento dos trabalhadores não tinham nenhum interesse na gestão de outras pessoas.

“Isso poderia se tornar um problema caso seja ignorado”, disse Steve Wolfe, vice-presidente executivo de operações da Addison Group, prevendo que, se os jovens forem promovidos para cargos de gestão sem estarem interessados, as empresas vão perder funcionários talentosos.

“Hoje observamos que há mais gente da geração Y que quer ser especialista em conhecimento, em vez de responsável por outras pessoas”, disse Wolfe.

A geração Y (definida pela Addison como pessoas nascidas entre 1980 e 1994) está menos interessada em gestão do que as gerações anteriores de jovens, disse Wolfe, embora essas pessoas tendam a se interessar mais por promoções e avanços na carreira do que os trabalhadores mais velhos, simplesmente por serem a mão de obra mais nova. O estudo constatou que menos pessoas da geração Y querem ser responsáveis por outros, embora queiram mais responsabilidade pessoal, disse Wolfe.

Mobilidade profissional

“Muitas vezes, as empresas promovem seu melhor vendedor a gerente de vendas, ou o melhor engenheiro a gerente de engenharia, porque é assim que funciona”, disse Wolfe. “Sabemos por décadas de pesquisa que, quando isso ocorre, a satisfação no trabalho cai e a rotatividade sobe”.

Na verdade, a geração Y valoriza a mobilidade profissional mais do que outros grupos geracionais, segundo a pesquisa, mesmo que não queira se manter dentro dos caminhos pré-determinados de cargos em uma empresa.

Quase 25 por cento da geração Y está atualmente buscando uma promoção no emprego, em comparação com 19 por cento da geração X (os nascidos entre os anos 1960 e 1980) e 9 por cento dos boomers (os nascidos entre os anos 1940 e 1960). A geração Y também tem maior probabilidade de abandonar o trabalho em que está se não puder avançar além de suas funções atuais.

Então, como manter os membros da geração Y felizes se eles estão procurando avançar, mas não através da marcha lenta da gestão média? Muitas empresas de tecnologia têm se adaptado a essa realidade mudando sua definição de sucesso no local de trabalho. Alphabet (antiga Google) e Oracle, por exemplo, criaram trajetórias de carreira que não levam a posições gerenciais, disse Scott DeRue, reitor associado da Ross School of Business, da Universidade de Michigan, que dá aulas de desenvolvimento de liderança.

Satisfação pessoal

“Planos de carreira individuais correm de forma paralela aos caminhos da gestão nessas empresas de tecnologia. A chave é: você pode ser bem-sucedido em qualquer caminho”. Além de ser pouco realista que todos estejam buscando os cargos de gestão, disse DeRue, esses cargos talvez nem combinem com a noção que eles possuem de um estilo de vida enriquecedor.

Talvez as pessoas da geração Y que querem avançar, mas rejeitam cargos de gestão, estejam simplesmente reagindo a uma propaganda ruim. “Houve um período no fim da década de 1990 em que vimos uma mudança. Ninguém queria estar no ambiente do escritório, mas todos querem liderar de seu próprio jeito”, disse DeRue.

Stew Friedman, diretor do Projeto de Integração Trabalho/Vida Pessoal da Wharton School, concorda que os cargos de gerência têm péssima reputação.

“A geração Y viu seus pais dedicarem a vida a esses tipos de emprego de gestão com imersão total e acabarem sendo demitidos na crise financeira”, disse Friedman, que especula que a geração Y quer empregos que tenham mais impacto e que ofereçam satisfação pessoal. “A noção geral sobre a vida gerencial é que ela afasta as pessoas do trabalho que realmente importa”.

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