Oferta de vagas para especialistas em UX (experiência do usuário) se multiplica

Saiba quais profissionais podem trabalhar na área e se beneficiar desse movimento

Sabe aquele controle remoto com vários botões que ninguém nunca usou? E aquele site onde você não encontra nada do que precisa? Esses são exemplos de produtos e serviços que não agradam nem um pouco ao consumidor final e cujas falhas poderiam ter sido evitadas caso tivessem contado com a ajuda de um profissional que está em alta no mercado: o especialista em user experience (UX) – ou “experiência do usuário”. 

UX é uma metodologia que simula a experiência que o cliente terá ao usar um produto ou serviço. Essa experiência pode acontecer em diversas plataformas – digitais ou físicas. Para atender aos anseios e às necessidades de um consumidor cada vez mais exigente, o trabalho do especialista em UX segue um fluxo com etapas bem definidas – investigar, criar, realizar e testar aquela experiência oferecida, sempre tendo seu usuário final como protagonista, desde a primeira ideia do projeto.

Algumas ferramentas são comuns no dia a dia de trabalho de um especialista em UX: wireframes (esboços de produtos e sites), protótipos, pesquisas com usuários, testes de usabilidade etc. Recorrer a essa metodologia pode até parecer caro inicialmente, mas evita a necessidade de futuros reparos em projetos já concluídos, fortalece a marca da empresa perante seu público-alvo e aumenta o uso do produto ou serviço pelo consumidor, além de reduzir gastos com atendimento ao cliente, entre outros. 

Segundo um estudo da Human Factors International (HFI), uma das maiores empresas do mundo especializadas em design centrado no usuário, o custo de corrigir um erro após o desenvolvimento é 100 vezes maior do que o de corrigir o mesmo erro antes de o projeto estar concluído.

Além da tecnologia

Com tantas vantagens no radar, fica fácil entender por que, só neste semestre, a demanda por esse tipo de especialista triplicou em relação ao semestre anterior, segundo dados da empresa de recrutamento Michael Page. “Dois fatores explicam a valorização dos UXs: uma tendência de mercado, em que as próprias empresas perceberam a utilidade desses cargos, e a baixa oferta de profissionais disponíveis, o que gera boas propostas”, afirma Fábio Saad, gerente da empresa de recrutamento Robert Half, em São Paulo.

Uma das companhias que empregam profissionais da área é o Bradesco. Para ter uma ideia, o banco conta com uma gerência de UX e redes sociais, comandada pelo paulistano Marcelo Salgado, de 36 anos, que lidera uma equipe de 45 pessoas. “No começo, as outras áreas não entendiam muito bem nosso trabalho. Mas, com o tempo, os resultados apareceram e UX tornou-se uma verdadeira cultura no banco. A cada novo projeto, a diretoria pergunta se ele passou pelo time de UX. É como um selo de qualidade”, diz Marcelo.

Multidisciplinar

Mas quem pode atuar nessa área? A associação entre UX e as carreiras tecnológicas é inevitável, já que os sites e as plataformas digitais foram pioneiros em simular a experiência do usuário. Mas os especialistas no assunto lembram que usabilidade e interação são conceitos primordiais para o desenvolvimento de qualquer produto ou serviço, digital ou físico, o que diversifica o perfil dos profissionais de UX. “As empresas buscam pessoas antenadas, dinâmicas, ávidas por informação e que já tenham alguma experiência no assunto”, diz Daniel Ostrowska, gerente da área digital da Michael Page.

Uma das profissionais que deixaram sua área de formação para atuar como UX foi a publicitária mineira Melina Alves, de 34 anos. “Em meu emprego anterior, como redatora digital, eu já trabalhava com arquitetura da informação sem nem saber. Em todos os meus trabalhos, buscava entender quem estava utilizando meu produto ou serviço. Isso é fundamental para um UX”, diz. 

Para fazer sua transição profissional, Melina pesquisou o assunto nos Estados Unidos e, quando retornou ao Brasil, fundou a DUX Coworkers, rede colaborativa de UX que oferece soluções para gigantes como Visa, Renault e Sony.

No Brasil, ainda não há graduação em UX. O assunto costuma ser abordado em disciplinas dos cursos de design ou de pós-graduação. Em São Paulo, a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) oferece um curso de extensão em UX que recebe profissionais de diversas áreas. “O trabalho de uma equipe de UX é multidisciplinar”, diz Henrique Monteiro, professor do curso na ESPM. 

Os recrutadores dão dicas para quem quer ingressar nesse mercado. “Um estágio é uma boa porta de entrada. Assim, o futuro empregador pode visualizar como o candidato se encaixa em seus projetos”, diz Fábio Saad. “Elabore um portfólio com seus protótipos, wireframes, pesquisas e websites produzidos. É preciso demonstrar que conhece o processo de pesquisa com usuários e desenvolvimento até o lançamento do produto”, diz Paulo Silveira, CEO da Alura, plataforma de cursos online que oferece conteúdos de UX. Alguém se candidata?

Radiografia da profissão

Conheça os pré-requisitos e a remuneração de quem atua na área de UX

O termo

O termo User Experience foi criado em 1990 por Donald Norman, então vice-presidente do Grupo de Tecnologia Avançada da Apple. ao criar a nova área de atuação, ele renomeou o próprio cargo para User experience architect.

Carreiras que podem atuar na área 

– Design 

– Arquitetura

– TI

– Psicologia

– Publicidade

Faixa salarial: de 8 000 a 12 000 reais

Competências necessárias

– Criatividade para propor soluções para a interação dos usuários com determinado sistema ou serviço.

– Facilidade para contar histórias (storytelling), de modo a descrever passo a passo como será a experiência de usar um produto, aplicativo ou site.

– Habilidade em conduzir entrevistas e testes com usuários e consumidores.

– Interesse por disciplinas comportamentais, como psicologia, sociologia e propaganda.

– Conhecimento de programas e ferramentas, como Illustrator (para a produção de vetores, curvas e desenhos); Photoshop (para tratamento e transformação de imagens); InDesign (para diagramação); Axure, Adobe Muse, Invision e Sketch (para protótipos); Lookback, io e UserTesting (para testes de usuários); Google Slides e Keynote (para apresentações para clientes); e Basecamp e Trello (para controle de projetos).

Esta matéria foi publicada originalmente na edição 223 da revista Você S/A e pode conter informações desatualizadas

Você S/A | Edição 223 | Dezembro de 2016 

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