Use o dólar a seu favor

A valorização da moeda americana pode ajudar a incrementar o faturamento da sua empresa

Desde o ano passado, quando ultrapassou o patamar de 4 reais, o aumento do dólar atrapalha os planos dos brasileiros de viajar ao exterior. Negativa para a pessoa física, a escalada da moeda americana pode fazer toda a diferença para o empreendedor que quer expandir a atuação para outros países. 

O cenário favorece não apenas as grandes companhias brasileiras exportadoras, que já têm parte do faturamento em dólar, mas traz oportunidades aos pequenos negócios. “É uma maneira de diversificar a receita, reduzir riscos e tornar a empresa mais sustentável no longo prazo”, diz Gustavo Marques, gerente da unidade de acesso a mercados e serviços financeiros do Sebrae, de São Paulo. 

Diante desse contexto, mais empresas de pequeno porte estão incluindo a exportação em sua estratégia. O número de pequenos empreendedores que fazem negócios com outros países cresceu 2,7% entre 2013 e 2014, segundo o mais recente estudo desenvolvido pelo Sebrae em parceria com a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). Para ter uma ideia, em 2014, as micro e pequenas empresas representaram 59,4% das companhias exportadoras do país. 

A paraense 100% Amazônia, que desenvolve e exporta ingredientes feitos com produtos florestais não madeireiros, é uma delas. O foco em comercializar para outros países faz parte do negócio desde o começo, em 2009. “Uma estratégia que tem se provado vencedora é contar com uma exposição muito grande na internet”, diz a economista Fernanda Stefani, uma das sócias, que trabalhou durante anos na área de comércio exterior. Além do site em inglês, a empresa usa a plataforma do Alibaba.com, site de e-commerce global. “Funciona como um cartão de visitas para atrair clientes e é uma forma de entender as tendências de mercado internacional; sabemos, por exemplo, se determinado país está comprando mais algum produto específico”, afirma Fernanda. No ano passado, a alta do dólar impulsionou os negócios e, hoje, a companhia exporta para 41 países – há dois anos, eram 30. “Mas é preciso traçar uma política consistente que independa da cotação”, diz Fernanda. 

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A Nativa Gems, que produz e exporta joias, pedras e minerais brasileiros, também tem uma estratégia para lidar com a volatilidade do dólar. “No planejamento, trabalhamos com dólar ultraconservador, com mínimo de proteção para não cair na euforia dos 4 reais”, diz o diretor-geral e fundador da empresa, Richard Katz. 

Com três escritórios em Porto Alegre, um depósito na cidade e outro no interior do Rio Grande do Sul, a Nativa Gems é focada totalmente em comércio exterior e exporta para mais de 50 países – principalmente joias feitas com pedras nacionais. “Produtos de decoração em pedras são bastante comercializados para redes varejistas dos Estados Unidos”, afirma Richard. 

De uma receita de 30 000 reais em 2009, primeiro ano de operação, para um faturamento esperado de 10 milhões de reais neste ano, a empresa faz as exportações sem intermediários. Se no começo Richard trabalhava sozinho, de sua casa, hoje tem uma equipe com profissionais formados em administração e comércio exterior e o empresário amplia sua visibilidade lá fora. “Participamos, anualmente, de duas feiras dedicadas ao mercado de joias, pedras e minerais nos Estados Unidos”, afirma. 

Caminho das pedras

Para dar os primeiros passos na internacionalização, uma boa estratégia é procurar uma empresa comercial-exportadora. “Como boa parte delas é focada em determinados setores da economia, vale a pena para fincar a bandeira”, diz Gustavo, do Sebrae-SP. Após entender como funciona o processo, é possível testar o modelo direto de exportação. Nesse caso, o esforço é mais longo no percurso e inclui uma série de tarefas. 

Uma das mais importantes é conhecer os países para os quais você quer exportar – e não basta fazer pesquisa na internet. “Viaje para alguns locais, conheça os estabelecimentos e tente lá mesmo colher a opinião de consumidores e atendentes sobre os produtos de referência do seu segmento”, diz Marcos Silvestre, economista e especialista em finanças pessoais e empreendedorismo, de São Paulo. 

Outra etapa fundamental é adequar o que você vende aos diferentes mercados. “Busque maneiras de adaptar ou customizar os seus produtos, incluindo embalagem, rótulos e promoções, em linha com exigências regulatórias, gostos dos consumidores e preferências culturais”, diz Alex Tsai, diretor de marketing para a América Latina do Alibaba.com. 

Faz parte desse processo elaborar um método de precificação que leve em conta os custos de exportação, as mudanças feitas nos produtos e o câmbio. “Realize também uma projeção de como a inflação tende a impactar o preço dos seus insumos nos próximos 12 meses”, afirma Marcos. Feito isso, é hora de alçar voos maiores. 

Esta matéria foi publicada originalmente na edição 213 da revista Você S/A e pode conter informações desatualizadas

Você S/A | Edição 213 | Abril de 2016 

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