2 frases e 4 números que revelam impasses do agronegócio

“Fazer road show hoje destrói a nossa imagem. O Brasil não é desconhecido”, dispara Andre Clark, diretor da Acciona Infraestructuras em evento em São Paulo

São Paulo – Ontem ocorreu em São Paulo o I Fórum do Agronegócio, Infraestrutura, Integração e Mercado de Capitais, organizado pelo Instituto IBMEC com apoio da KMPG, Demarest e EXAME.

Os debatedores falaram em como colocar o agronegócio, uma história de sucesso na economia brasileira, dentro do século XXI.

Para isso, avaliam que é preciso investir em tecnologia, criar infraestrutura e coordenar a logística de transporte – além de achar novas e melhores formas de financiar tudo isso.

Veja a seguir 3 números e 3 frases que ilustram os problemas (e as possibilidades de solução) no momento atual:

1. 90%

Esse foi o ganho registrado no tempo de operação do Terminal integrador de Araguari, um dos principais pontos de escoamento da exportação de grãos produzidos em Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso.

Um caminhão levava 64 horas para carregar 80 vagões, tempo que caiu para 6,2 horas, de acordo com Fabiano Lorenzi, diretor comercial da VLI Logística (que fez o trabalho).

Esse é só um exemplo de como é possível melhorar a gestão e eficiência sem esperar que o setor público faça todo o trabalho.

2. “A soja brasileira concorre com a americana, que desce o Rio Mississippi de balsa: é muito desigual”

A frase é de Martus Tavares, VP de assuntos corporativo da BUNGE.

Ele lembra que a produção agrícola do Brasil está inserida em um cenário global e que nosso sistema de logística, basicamente rodoviário, é muito mais ineficiente e poluente do que outros que contam com ferrovias e hidrovias.

Seu cálculo é que a soja brasileira perde 5% no caminho entre produção e transporte, o que “em termos de margem para uma commodity é muito relevante”.

3. 6 secretários de Portos

Foi o que o Brasil teve só nos últimos 2 anos, o que mostra o grau de descontinuidade mesmo dentro de um mesmo governo.

O que dizer então da descoordenação entre os vários órgãos como os tribunais de contas e agências reguladoras? E da influência política sobre pastas que deveriam ter funções basicamente técnicas?

4. Apenas 2,7% dos recursos dos fundos de pensão estão em investimentos estruturados enquanto 71% estão em renda fixa

A frase mostra que as condições macroeconômicas influenciam e muito a lógica de investimentos no Brasil.

Alguns passos para desenvolver o mercado dessa área são importantes e foram muito citados no evento, como melhora do ambiente institucional e a revisão já em curso do tamanho e do papel do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Mas será difícil atrair recursos enquanto câmbio e juros não voltarem para algum tipo de normalidade. Ou como lembrou Venilton Tadini, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB):

“Todo mundo quer [os títulos de infraestrutura], mas não tem projeto que vá dar retorno com juros a 14,25%. Não há investimento possível com a volatilidade cambial que temos e enquanto não baixar a taxa básica não vamos a lugar nenhum”, diz Venilton.

5. “Fazer road show hoje destrói a nossa imagem. O Brasil não é desconhecido”

A frase é de Andre Clark, diretor da Acciona Infraestructuras. O alerta é importante para o novo governo de Michel Temer: antes de se mostrar, é melhor olhar para dentro e saber o que há de novo para apresentar.

6. A infraestrutura como participação da formação bruta de capital fixo (investimento) era de 23% nos anos 70 e caiu para 10,8% nos anos 2010

O Brasil tem pouca poupança e baixo investimento, ao contrário de economias asiáticas de alta performance como a chinesa. O problema é crônico e não reagiu diante das mais diferentes políticas.

E está sendo agravado pela crise: de um ano para cá, a taxa de investimento como porcentagem da economia caiu quase dois pontos percentuais.

Uma parte minoritária, mas significativa disso é infraestrutura: o investimento na área caiu dos 5,4% do PIB nos anos 70 para taxas próximas de 2,3% desde os anos 90.

E não é porque o básico já foi feito: a estimativa é que seriam necessários 3% só para conter a depreciação.

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