2016 terá PIB caindo 4% e inflação de 8%, diz BNP Paribas

Em perspectiva bem mais sombria do que a média do mercado, banco francês corta projeção para queda do PIB em 2016 em um ponto percentual de 3% para 4%

São Paulo – O BNP Paribas cortou hoje em um ponto percentual sua projeção para a queda do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2016, de -3% para -4%.

É mais do que o esperado pela média do mercado expressa pelo Boletim Focus divulgado no início desta semana, que projeta queda de 2,95%.

O banco francês nota que seu pessimismo acabou sendo confirmado ao longo do ano passado:

“Amamos virar consenso, mas odiamos ser consenso. Nossa previsão de crescimento foi cortada muitas vezes no ano passado na medida em que trabalhávamos para ficar alguns passos na frente da multidão. Podemos parecer um disco riscado, mas acreditamos que o consenso vai nos seguir novamente”, diz a nota assinada por Marcelo Carvalho, economista-chefe para a América Latina.

Uma nova queda de 4% depois da recessão de 2015 causaria uma queda acumulada de 8% no tamanho da economia brasileira, com perspectiva de crescimento perto de zero em 2017.

A última vez que o Brasil enfrentou dois anos seguidos de recessão foi no período 1930-1931, auge da crise global depois do crash de 1929. Naquela época, o PIB acumulado caiu 5%.

Entre os principais motivos para o cenário sombrio, o banco cita a queda do preço das commodities com a desaceleração da China, erros de política econômica do governo e os efeitos da Operação Lava Jato sobre a política e empresas.

“O PIB está sendo massacrado pela confiança que despenca, inventários altos, desemprego em alta, repercussões das investigações de corrupção, uma crise apertada de crédito doméstico, discórdia política e aumento da preocupação sobre as perspectivas de políticas domésticas, além dos ventos contrários internacionais”, diz o texto.

Para a inflação, a previsão do banco é de 8% este ano, bem acima dos 6,87% esperados pelo mercado. O IBGE divulgou hoje que a inflação de 2015 ficou em 10,67%, a maior desde 2002.

A única parte boa vista pelo banco é que a depreciação do real vai melhorar as contas externas, levando o déficit em conta corrente para apenas 2% do PIB neste ano.

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