A recuperação americana vai morrer de velhice?

No momento em que muitos temem a chegada de uma nova recessão, estudo mostra que recuperação pode até morrer - mas não vai ser de velhice

São Paulo – Os Estados Unidos vão entrar em recessão?

A expansão atual da economia do país começou em junho de 2009 e já completa 6 anos e meio, um período relativamente longo na comparação histórica.

Não é só a duração, a turbulência global e o pânico dos mercados financeiros que preocupam, mas também alguns sinais internos.

Um deles é a queda das margens corporativas após um período longo de pico.

“A ligação entre margens de lucro e recessões é forte. Nós analisamos isso nos últimos 7 ciclos de negócios, desde 1973. Os resultados não são encorajadores para a economia ou o mercado – em todos os períodos exceto um, um declínio de 0,6% nas margens em 12 meses coincidiu com uma recessão”, diz Jonathan Glionna, do Barclays, em nota para clientes.

O Bank of America diz que o risco da recuperação chegar ao fim “aumentou, mas está contido”, e coloca em 1 em 4 a chance dda economia americana entrar em recessão nos próximos 12 meses. 

De acordo com o JP Morgan, a chance de uma recessão antes de 2017 está em 67%, subindo para 92% no espaço dos próximos 3 anos.

Outros sinais são mais animadores, como o desemprego baixo, a alta nos salários e as vendas do varejo. Também não se pode subestimar o efeito da queda do preço do petróleo – para o bem ou para o mal.

A produção industrial americana, por exemplo, caiu no começo da recessão de 1990, no começo da recessão de 2001, no começo da recessão de 2008 – e está caindo hoje. Mas tire o setor de energia da conta e o resultado fica bem mais estável.

Estudo

No fundo de tudo está uma pergunta ainda mais difícil: por quanto tempo uma economia pode sustentar um ciclo de crescimento? As recuperações morrem de velhice?

A presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, já foi perguntada mais de uma vez sobre o assunto e costuma dizer que isto é um “mito”.

Glenn D. Rudebusch, vice-presidente executivo do Departamento de Pesquisa Econômica do Federal Reserve Bank de São Francisco, foi investigar a questão usando a chamada “análise de sobrevivência”.

É um ramo da estatística que calcula a probabilidade de um evento acontecer ao longo do tempo – como a de um carro quebrar ou uma pessoa morrer, por exemplo.

Nas suas conclusões recentemente publicadas, ele afirma que no período pré-guerra, entre 1854 e 1938, as expansões americanas de fato tendiam a perder força com a passagem do tempo. No entanto, não há indício de que isso continuou nas décadas seguintes.

“A evidência empírica das expansões dos últimos 70 anos indica que elas não ficam progressivamente mais frágeis com a idade. Expansões, como o Peter Pan, duram mas parecem não envelhecer”, diz o texto.

Ele acredita que isso possa estar relacionado com a importância crescente na economia do setor de serviços, que é menos vulnerável a flutuações de produção e inventário.

Outra razão pode ser o aumento do governo federal, que atuar para amenizar os ciclos de expansão e queda através de mecanismos como a Previdência e políticas como o seguro-desemprego.

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