Até a elite da elite está preocupada com o “precariado”

"Precariado e classe média" estão entre os temas na pauta dos Encontros Bilderberg, que começam hoje e são uma versão ainda mais elitizada da reunião de Davos

São Paulo – Começa hoje em Dresden, na Alemanha, a 64ª edição dos Encontros Bilderberg, versão ainda mais elitizada da reunião anual de Davos, na Suíça.

Até domingo, 130 participantes de 20 países estarão discutindo informalmente temas que afetam a relação entre Europa e América do Norte.

Na lista estão Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), e os presidentes-executivos de empresas como Telefónica, Royal Dutch Shell, Deutsche Bank, Siemens e Ryanair.

Também marcam presença Henry Kissinger, ex-secretário de Estado americano, Reid Hoffman, fundador do LinkedIn, e Charles Michel, primeiro-ministro da Bélgica, além dos ministros de Finanças da Suécia, Alemanha, Canadá e Irlanda.

Os temas na pauta incluem Rússia, Oriente Médio, China, segurança cibernética e inovação tecnológica – basicamente, o que poderia se esperar de qualquer fórum sobre “assuntos atuais” (outro tópico, listado exatamente dessa forma).

Mas há uma exceção: “o precariado e a classe média“.

O termo “precariado” junta “proletariado” e “precário” para classificar uma nova classe econômica que só tem a força de trabalho para oferecer mas não pode gozar de direitos em um novo mundo globalizado.

“Consiste de uma multidão de pessoas inseguras, com vidas de pedaços e fragmentos, entrando e saindo de empregos de curto prazo, sem uma narrativa de desenvolvimento ocupacional, incluindo milhões de jovens educados e frustrados que não gostam do que veem na sua frente, milhões de mulheres abusadas em trabalhos opressivos, números crescentes de criminosos marcados para toda a vida, milhões categorizados como ‘deficientes’ e centenas de milhões de imigrantes ao redor do mundo”, diz o economista inglês Guy Standing no artigo original de 2011 que começou a popularizar o termo.

Standing, que estará no encontro, alerta que este novo grupo pode ser presa fácil para novas variações do fascismo (ilustradas pela ascensão de partidos radicais na Europa e de gente como Donald Trump nos Estados Unidos).

É sintomático, inclusive, que o precariado esteja agrupado com a classe média. De qualquer forma, será difícil saber a que conclusões o encontro chegou, já que a organização pede que ninguém espalhe o que é dito lá dentro. 

Há membros do mundo da mídia que participam, mas não há propriamente uma cobertura jornalística, e quem tenta é constrangido por um pesado esquema de segurança.

“Não há resultado desejável, nenhuma minuta é feita e nenhum relatório é escrito. Além disso, nenhuma resolução é proposta, nenhum voto é tomado e nenhuma declaração de políticas é emitida “, diz o comunicado à imprensa dos Encontros.

Diante disso, não surpreende que o fórum tenha virado alvo de teorias conspiratórias de que seus membros são uma espécie de Illuminatti que definem os rumos da política e da economia globais.

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