Bebês e bilionários são chave para emergentes, diz analista

Segundo diretor do Morgan Stanley, ter mais bebês, controlar empréstimos e criar bilionários são chaves para os países que querem triunfar

Ter mais bebês. Controlar os empréstimos. Criar pessoas que se tornem bilionárias por esforço próprio. Manter a moeda barata.

Esses são os conselhos de Ruchir Sharma, diretor de mercados emergentes do Morgan Stanley Investment Management, para os países que querem triunfar – ou, pelo menos, evitar uma queda.

Membro da lista da Bloomberg Markets das 50 pessoas mais influentes no ano passado, Sharma resumiu os dez princípios orientadores de sua estratégia quinquenal de investimento. Ele administra cerca de doze fundos de países em desenvolvimento; os três maiores, com aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos, retornaram 4,7 por cento ou mais cada um neste ano e registraram um desempenho superior a seus valores de referência, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Em um ranking com base em suas dez regras, a China está no último lugar entre os principais países emergentes. A República Tcheca e a Polônia estão no topo. A seguir, alguns destaques:

Bebês

A contração da força de trabalho tem sido uma das principais causas da anemia do crescimento econômico global desde a crise financeira de 2007-2008, escreve Sharma em seu novo livro, “The Rise and Fall of Nations”.

Um declínio de 1 ponto percentual no crescimento da mão de obra normalmente reduz a expansão econômica em uma proporção semelhante, diz ele.

40 por cento de dívidas

O número mágico é 40. A pesquisa de Sharma identifica 30 países que viram sua taxa de crescimento econômico cair à metade até cinco anos depois que o crédito privado se expandiu para 40 por cento ou mais do produto interno bruto nos cinco anos anteriores.

Esta pontuação deixa a China em perigo. Desde 2008, a dívida de empresas e famílias do país quase dobrou e superou a expansão do crédito na Tailândia que precedeu a crise financeira asiática de 1997, a maior onda de tomada de empréstimos da história dos mercados emergentes, disse Sharma em entrevista em seu escritório em Nova York.

Bilionários bons x bilionários ruins

Os escândalos de corrupção que eclodiram há seis anos na Índia inspiraram Sharma a começar a examinar as elites ricas dos países. Ele dividiu a fortuna líquida dos bilionários de cada país presente na lista da Forbes das pessoas mais ricas do mundo pelo PIB desse país. A regra funciona como indicador aproximado da saúde e da igualdade das economias, escreve Sharma em um capitulo titulado “Bilionários bons, bilionários ruins”.

Sharma observa sinais de alerta quando os bilionários são donos de mais de 5 por cento do PIB de um país. Um elenco em evolução de magnatas que construíram sua própria fortuna, como os fundadores dos unicórnios de tecnologia avaliados em bilhões de dólares, é melhor do que um grupo de corruptos inatos, especialmente aqueles que dependem de fortunas herdadas ou de setores com conexões políticas, acrescenta ele.

‘Barato é bom’

No começo da década de 2010, Sharma ouviu histórias de brasileiros que iam para Manhattan e contratavam contêineres para transportar suas compras. A força do real brasileiro fazia com que eles se sentissem ricos. Esse período marcou o pico do boom econômico do país. A lição: uma moeda supervalorizada tende a desequilibrar uma economia.

Segundo essa regra, a África do Sul e o México parecem competitivos porque suas moedas se desvalorizaram nos últimos anos. No outro extremo do espectro, a taxa de câmbio ajustada à inflação da China para o yuan aumentou 49 por cento desde 2006, mais do que qualquer outra moeda dos mercados emergentes.

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