BM quer escutar indígenas para reduzir pobreza na A. Latina

"Os povos indígenas conseguiram avanços sociais significativos, reduziram seus níveis de pobreza em diversos países e melhoraram seu acesso a serviços básicos"

Panamá – Os indígenas latino-americanos se beneficiaram menos do que o resto dos habitantes com a bonança econômica na América Latina na década passada, por isso que devem ser incluídos e escutados, segundo um estudo do Banco Mundial (BM) divulgado nesta segunda-feira na capital panamenha.

“Os povos indígenas conseguiram avanços sociais significativos, reduziram seus níveis de pobreza em diversos países e melhoraram seu acesso a serviços básicos durante a bonança da primeira década do século, mas não se beneficiaram na mesma medida que o resto dos latino-americanos”, de acordo com o documento “América Latina Indígena no Século XXI”.

Os últimos censos disponíveis mostram que em 2010 havia cerca de 42 milhões de indígenas na América Latina, o que representa quase 8% da população total.

México, Guatemala, Peru, e Bolívia contam com as maiores populações indígenas, mais de 80% do total regional, ou 34 milhões, especifica o BM.

O estudo afirma que graças à combinação de crescimento econômico e políticas sociais adequadas, mais de 70 milhões de pessoas saíram da pobreza.

A pobreza de famílias indígenas diminuiu em países como Peru, Bolívia, Brasil, Chile e Equador, enquanto em outros, incluídos Equador, México e Nicarágua, acabou a brecha educativa que durante décadas excluiu as crianças indígenas, diz.

No entanto, o relatório indica que apesar dos povos indígenas conformarem 8% da população da região, representam aproximadamente 14% dos pobres e 17% dos extremamente pobres na América Latina.

Além disso, ainda enfrentam atraso no acesso a serviços básicos e na adoção de novas tecnologias, um aspecto fundamental em sociedades cada vez mais globalizadas.

“A América Latina experimentou uma profunda transformação social que diminuiu a pobreza e aumentou a classe média, mas os povos indígenas se beneficiaram menos do que o resto dos latino-americanos”, disse o vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Jorge Familiar, no ato oficial de apresentação do relatório na presidência do Panamá.

O documento adverte que se houver vontade de conseguir os objetivos de “reduzir a pobreza e impulsionar a prosperidade compartilhada”, a região deve “lutar contra a discriminação e exclusão para que todos os latino-americanos contem com as mesmas oportunidades de ter uma vida melhor”.

Ao contrário da crença popular, quase metade da população indígena da América Latina vive em zonas urbanas, mas igualmente imersos na exclusão, afirma o documento.

Para reduzir estas vulnerabilidades de maneira mais bem-sucedida sugere considerar os problemas dos indígenas através de um lente diferente que tome em conta suas vozes, culturas e identidades.

“Este relatório reconhece que os povos indígenas costumam ter um conceito mais matizado do que é o desenvolvimento e por que é importante. Se os povos indígenas assumirem seu papel como atores chave na agenda post-2015, suas vozes e ideias devem tomar-se em conta”, disse o diretor sêniors do Banco Mundial para a Prática Mundial de Desenvolvimento Urbano, Rural e Social, e Resiliência, Ede Ijjasz-Vásquez, que acompanhou a Parente.

Apontou que “se tenta respeitar suas culturas e sua dignidade. Sua inclusão não é somente moralmente correta mas é economicamente adequada para as nações”.

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