Brasileiro quer reformar Previdência – mas só a dos outros

66% são a favor de idade mínima para aposentadoria, mas 76% não concordam que isso signifique que elas se aposentem mais tarde, segundo pesquisa divulgada hoje

São Paulo – Uma nova pesquisa mostra que o brasileiro ainda desconhece o tema da Previdência e tem opiniões muitas vezes contraditórias sobre possíveis reformas.

66% são a favor de uma idade mínima para aposentadoria em face ao envelhecimento da população, mas 76% não concordam que isso signifique que elas se aposentem mais tarde. Só 30% concordam que quem quiser se aposentar mais cedo receba benefícios menores.

Os números são de uma pesquisa da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida com o Ipsos divulgada hoje no VIII Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada em São Paulo.

Foram ouvidas 1.500 pessoas com mais de 23 anos, de todas as classes sociais e em todas as regiões, entre 21 de julho e 4 de agosto.

O tema ainda não está na mente da maioria: 44% não sabem das propostas de reforma em discussão pelo governo do presidente interino Michel Temer.

De acordo com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, os itens prioritários são definição de idade mínima, diferença entre os sexos e diferença entre as profissões.

No momento, o desconhecimento gera pessimismo. Entre as pessoas que ouviram falar sobre mudanças, 50% preveem pouca ou muita diminuição de direitos, número que sobe para 64% entre aqueles que não estão informados.

O brasileiro acha que homens se aposentam em média aos 64 anos mas deveriam poder se aposentar aos 58. No caso das mulheres, a idade percebida é de 58 e a idade desejada é de 53 anos.

Na verdade, a média real é bem mais baixa: 54 anos. A falta de informações sobre o tema e sobre as possibilidades de reforma são apontadas como obstáculos para sua aprovação legislativa.

O governo fala em estabelecer uma idade mínima de 65 anos para homens e um pouco menos para mulheres. A expectativa de vida do brasileiro é hoje de 75 anos e a Previdência é a maior rubrica de gastos do governo depois do pagamento com juros.

Um dos mistérios da reforma é sobre as regras de transição, e a divisão é grande quando os brasileiros são perguntados sobre como deve ser repartido o impacto entre aqueles que não entraram no mercado de trabalho e os que já estão próximos de se aposentarem. 

Mas de forma geral, a maior parte rejeita regras especiais para servidores públicos, pescadores, indígenas, professores e agricultores familiares.

Uma idade mínima igual para homens e mulheres é apoiada por 64%. As mulheres hoje vivem mais do que os homens, mas muitos destacam que elas costumam estar sujeitas a jornadas maiores por carregarem um fardo maior dos trabalhos domésticos

Uma das maiores divisões percebidas pela pesquisa é em relação à proposta de reajustar as aposentadorias apenas pela inflação e não mais com base no salário mínimo: 49% são a favor e 42% contra.

O aumento de impostos como alternativa às reformas é rejeitado por 68% dos brasileiros. A maior parte dos números é similar a uma pesquisa Datafolha divulgada recentemente.

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