Como imigrantes construíram economia dentro de acampamento

Na França, aproximadamente 2.500 imigrantes vivem em um acampamento que tem lojas, restaurantes, bares, uma escola, uma igreja e até uma discoteca

Os homens afegãos, sentados de pernas cruzadas no chão de uma loja pequena e bem abastecida, tomam chá doce gelado e preparam cigarros manualmente.

Eles envolvem cuidadosamente feixes com 10 unidades em papel alumínio e os empilham.

Os cigarros são um bom negócio aqui no acampamento de imigrantes de Calais — “A Floresta”, como é conhecido por seus moradores.

Eles vendem bem, especialmente na discoteca do acampamento.

Uma minieconomia surgiu nesse extenso acampamento de 16 hectares.

Aproximadamente 2.500 homens, mulheres e crianças vivem aqui.

Eles construíram lojas, restaurantes, bares, uma escola, uma igreja e até mesmo uma discoteca — tudo isso enquanto alguns deles fazem tentativas noturnas de passar clandestinamente para a Grã-Bretanha.

“Alguns deles estão ganhando um bom dinheiro”, diz Maya Konforti, membro do grupo humanitário L’Auberge des Migrants.

“Há muitas lojas, bares e restaurantes no acampamento e, para algumas pessoas, isso é bom”.

A microeconomia de A Floresta está construída sobre alicerces frágeis.

Os materiais de construção estão limitados a tiras de madeira, lona e pedaços de carpete descartados. A discoteca — uma construção retangular de plástico azul e madeira — tem um único alto-falante, uma luz de discoteca, narguilé e uma pequena cozinha.

Uma refeição custa entre 1 euro e 2 euros (US$ 2,20).

“As pessoas vêm aqui para dançar, tomar uma cerveja e tentar sentir como se estivessem em casa novamente, em seus países”, diz Zimako, um morador nigeriano que atua como meu guia no acampamento.

Ele me mostra as lojas — a maioria delas administradas por afegãos — que vendem uma série de produtos, de cartões telefônicos a barras de chocolate. Nós passamos por bares e restaurantes geridos por eritreus e por uma igreja, com direito a torre e sino.

“Essas pessoas são inteligentes”, diz Konforti. “Muitas são de classe média ou até de classe alta. Elas estudaram e tinham uma profissão”.

Konforti diz que a maioria dos imigrantes fugiu da guerra e de perseguições e que muitos gastaram milhares de dólares e viajaram durante meses para chegar tão longe.

E em meio aos abrigos feitos pela metade, com os materiais mais rudimentares, eles construíram algo semelhante a uma cidade. É um verniz de normalidade para pessoas que estão vivendo uma existência precária e muitas vezes perigosa.

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