Crise deve gerar novo modelo, dizem economistas

Ciclos econômico e político acabaram, e agora governo e empresas vão ter que atravessar um deserto para chegarem diferentes do outro lado

São Paulo – “Hoje, até aprovar parabéns para você no Congresso está difícil”, diz José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de política econômica e sócio da MB Associados.

Em debate no EXAME Fórum, o economista disse que temos hoje “além de um governo fraco, uma situação econômica pior do que todos previam” e com crise inédita em 6 setores-chave: petróleo, energia elétrica, automotivo, bens de capital, açúcar e álcool. 

Nem todas as empresas devem conseguir “atravessar esse deserto”; estão em vantagem aquelas com balanços fortes, boa produtividade e recursos de capital humano.

É só em meados de 2016 que a queda da inflação e a estabilização do câmbio permitirão cortar novamente os juros e abrir espaço para uma recuperação, diz Mendonça de Barros.

Mas em prazos mais longos, o que importa é o que o analista político Ricardo Sennes, da Prospectiva, chamou de o fim de dois ciclos: econômico e político.

Pérsio Arida, ex-presidente do Banco Central e sócio do BTG Pactual, destacou que uma das expressões destes ciclos (e que terá que ser revertida) é o aumento explosivo do crédito direcionado:

“Se boa parte do crédito é aliado à taxas subsidiadas, o Banco Central tem que aumentar a Selic. Tornar o custo de capital mais barato começa e termina com subsídios. A intervenção estatal com um objetivo ingênuo fez com que todos pagassem mais juros”.

Ele disse que este e outros fracassos de um modelo intervencionista – a chamada “nova matriz econômica” do primeiro mandato de Dilma – são hoje a “pré-condição de uma nova maneira econômica do mercado funcionar”.

Ou como colocou Mendonça: “Foi-se a época que uma viagem para Brasília custava menos do que trocar máquinas”.

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