Economia da Europa só tem a ganhar com refugiados, diz banco

Imigrantes em idade de trabalhar são boa notícia para uma Europa que envelhece, diz Credit Suisse: "esforços de integração devem ser vistos como investimento"

São Paulo – O fluxo de refugiados assusta a Europa mas é positivo para sua economia, de acordo com o Credit Suisse.

“Os esforços para integrar os imigrantes devem ser vistos como um investimento e não como um custo”, diz um relatório recente do banco.

A crise atual, fruto em parte do agravamento da guerra civil na Síria, é a pior desde a Segunda Guerra Mundial.

O número de pedidos de asilo nos 28 países da União Europeia subiu 70% entre janeiro e julho deste ano em relação ao mesmo período de 2014.

O bloco começou a organizar sua acolhida e a previsão é que o saldo migratório aumente a população da zona do euro em 5 milhões de pessoas nos próximos 5 anos, o que equivale a 1,5% da população atual de 340 milhões.

No curto prazo, o maior impacto disso é no aumento no gasto dos governos para alimentar, dar abrigo e auxiliar os refugiados.

A Alemanha sozinha prevê uma despesa extra isso de € 1 bilhão em 2015 e € 6 bilhões em 2016 (equivalente a 0,2% do PIB).

Os alemães têm margem orçamentária para fazer isso, mas outros países devem pedir flexibilidade nas metas fiscais do bloco para dar conta do recado. 

A boa notícia é que todo esse dinheiro volta diretamente para a economia, já que quem chega sem nada gasta basicamente tudo que recebe. Só isso pode adicionar entre 0,2 e 0,3 ponto percentual ao crescimento do PIB em 2016, segundo o banco.

Demografia

No longo prazo, o efeito é estrutural. A Europa tem taxas de fertilidade baixas e populações velhas ou até em declínio.

Cada vez menos gente está em idade de trabalhar para sustentar um número crescente de pensões: é o risco de “japanização”

Entram os refugiados, 3 de cada 4 estão em idade de trabalhar. Com eles, o potencial de crescimento sobe 0,2 ponto percentual para 1,3% na média entre 2015 e 2023 comparado com o cenário-base da Comissão Europeia, diz o banco.

“Estudos nacionais e da OCDE mostram que imigrantes contribuem mais em impostos e contribuição social do que recebem em benefícios. Estes estudos mostram que emprego é o maior fator isolado que determina a contribuição fiscal dos imigrantes e que é crucial integrá-los rapidamente nas forças de trabalho dos países anfitriões”, diz o relatório do banco.

Imigração e economia

Em entrevista recente para EXAME.com, o economista Alex Tabarrok, professor da George Mason University e autor do popular blog Marginal Revolution, classificou nosso sistema de “apartheid global” e fez uma defesa apaixonada de fronteiras abertas:

“A maior parte dos economistas acha que a imigração é benéfica no balanço, e mesmo aqueles que veem um efeito de baixa de salários nos nativos menos qualificados concorda que este efeito é baixo no curto prazo e ainda menor no longo. Nenhum economista notável acredita que imigração seja um “enorme” problema.”

Uma pesquisa da Universidade de Chicago com economistas consagrados confirma sua posição. Outro estudo, publicado em abril pelo Escritório Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos, concluiu que no país, os imigrantes criam mais empregos do que tomam.

Estudos de associações industriais da Alemanha apontam que no país, os imigrantes são mais empreendedores do que a média e que um quinto deles abriu um novo negócio. Na Austrália, refugiados são ainda mais empreendedores do que a média dos imigrantes.

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